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setembro 30, 2006

ABÓBORA!

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Lorenzo Sperlonga

Alcovitar. Ganha-pão de sucesso desmentindo o ocaso empresarial português. Agências matrimoniais, amores arranjados por electrónica sobreposição de expecTativas e perfis, anúncios de jornal, tudo serve para enterrar solidões e memórias desamadas. Se do académico jogo de probabilidades não duvido, juntar à roleta dos afectos ficha extra, mal não deve fazer.

Alcovitices são como placebos - o sucesso é proporcional à crença depositada -, ou método para deixar de fumar – a eficácia existe quando há vontade e o montante investido exige resultados. As mulheres, sempre disponíveis para sonhos românticos, têm talento afinado como alcoviteiras. Se resolvidas afectivamente, não dispensam renovar quebrantos idílicos no papel de fada-madrinha pronta a fornecer abóbora e sapatos de cristal. Esteja o príncipe encantado debaixo de olho e a borralheira disponível, o baile combina-se depois.

Sendo que premeditações desdizem do meu feitio, deu-me para casamenteira. O príncipe estava a jeito, a borralheira era amiga, somei dois com dois e iniciei-me na segunda mais antiga profissão do mundo – alcoviteira. Estendi-me nos dons, justos e reais, da amiga sem parceiro. Ele, um gentil homem, doce, inteligente e bem-formado, ouviu-me com educação aprimorada. Acabado o esboço, perguntou-me o nome da candidata. Mal o disse, acresceu dados que eu partilhava. Estupefacta, concluí: conheciam-se! Amigos de longa data que há muito tinham a amizade como melodia que em dueto sabiam compor.

Dei por finda a actividade. Nem precisei de dar baixa nas Finanças. Finou-se como começou – num impulso.

Publicado por Teresa C. às setembro 30, 2006 12:22 PM

Comentários

Se o Gil Vicente visse este post, tinhas direito a um auto, certamente...

Publicado por: Bad Girl às setembro 30, 2006 11:37 PM

Ora, seria consideração que eu não mereço. ;)Beijinho Bad Girl.

Publicado por: Tati às outubro 4, 2006 12:07 PM

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