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setembro 04, 2006
ÀS ARMAS!

Deborah Poynton
É a reentré. Foi a festa do Avante. É a marcha pelo emprego do Louçã com o arremedo da cow parade em versão vacas magras. São os assaltos ao material escolar. Até o Marcelo Rebelo de Sousa trocou a elite algarvia pelo pó e calor e filas e desbunda nocturna da Atalaia. É o regresso dos transviados pelos calores do Verão.
Voltaram. Aguerridas, elas. Bronzeadas. Pés de sola arranhados pelos areais. Unhas estilhaçadas pelo faz-mala-desfaz-mala e manicuras de férias em parte incerta. Cabelos secos de palha. Mal amanhadas. No íntimo suspirando por saltos, odiando havaianas e páreos. Fartas de selvajaria estival, do apetite e desarrumo e rebeldia e petiscadas do marido e filhos e dos centímetros a mais. Venha o pretexto do trabalho que lhes dê descanso das birras dos Manelinhos, dos sacos da roupa suja obesos até mais não, das paparocas grupais que os Antónios, sob compromisso de honra não cumprido de tudo fazerem, impuseram portas adentro. Eles, os peritos em grelhados, mortinhos pela barbárie alcoólica, javardice, conspícuos devaneios com a Luisa, apostas com os compinchas se as mamas dela são naturais ou não, congeminam modo de a espalmar de raspão e ganhar o desafio – afinal são meloas de casca dura! -, do triunfo dando conta aos pares. Ficaram os grelhados secos e pecos, os homens em coma patético, elas engelhando o rosto pelo estado dos parceiros. No regresso, dirão das férias o melhor, salvo os desenxabidos que resumem a resposta a um “passaram-se!, para o ano há mais.”
Caixeiras de lojas de roupa, de acessórios de moda, esteticistas, cabeleireiros segurem-se! Agarrem o que tiverem à mão! O mulherio não vos dará tréguas e a piedade será omissa. Restaurado o corpo, o bronzeado no melhor, a meteorologia que se livre de mudar e legitimar chuva em cachão. Os decotes, o branco, as sandálias de salto, as peles macias reluzindo de cremes e melamina são incompatíveis com chuva-molha-tolos. As pechinchas da nova colecção desaparecem como se aves de rapina infestassem áreas comerciais. Elas preparam o visual de Outono subtraindo aos cartões euros sobrados das fardas colegiais, mochilas, ténis e gorda parafernália escolar. E eles? Pagam, claro! Pelos olhares lascivos às mulheres alheias, pelo estiolar dos grelhados, excessos e deixa-andar. Uma coisa é certa: não lhes fica adiado para o «além» o pagamento com juros das faltas cometidas. Veniais ou não.
Publicado por Teresa C. às setembro 4, 2006 07:52 AM