« SUTIÃS | Entrada | ÀS ARMAS! »
setembro 03, 2006
BOBÓ

Devors
Ele pediu picanha fatiada com alho, ela bobó de camarão. Esplanada virada ao rio, luzes definindo do Tejo a margem de lá. Noite cerrada, mesas de madeira ripada, candeia acesa, música e tepidez sugeriam ambiente tropical. Até a leveza do riso, mais a soltura dos corpos e a vivacidade da fala diziam com os sentidos despertos após o dia de verão.
Aos primeiros goles de cachaça com lima e bolas quentes de queijo, ela recordou há muito não saborear bobó. Um “não?” malicioso que conhecia bem demais, baralhou e deu impulso à corrida do pensar. “Bobó pode ir além do camarão?” Bailando nele o olhar pelo diálogo desconjuntado, veio o que “sim, pode, e da habilidade dás provas.” Dela arredou confusão – trazia manha no bico -, e queria saber mais. Tudo. Do bobó a ambivalência. No riso aberto foi-lhe negada – espicaçada – a explicação.
Chegando o funcionário enfiado em camisa badejona e tropical, o à-vontade dela explodiu: “Dizes ou pergunto a este amável senhor?” Imobilizado, prato na mão, olhar surpreso, o empregado jogava a dois de paus. Apurando o sorriso sedutor, ela levantou o rosto para arrojar a questão. Rápido como coelho fugido ao caçador, sorrisos a três, ele aprestou um “digo, digo já!”. Depois, para o assarapantado espectador: “não o vamos por tão pouco incomodar!” O homem foi-se ficou o bobó na mesa e no ar. “Bobó é o mesmo que fellatio e pasmo de o não saberes.” Que não, que jamais entre mulheres bobós foram chamados à colação. “Discordo, é coisa comum do falar” Nesse preciso instante, ela ardia na vontade de se levantar e bem alto lançar às mulheres presentes a questão: “Além do de camarão, sabem o que é um bobó?” A sensatez impediu o acto e a estatística de ocasião. Odiando ignorar o que na língua é comum, fosse ela eu e, entre amigas e conhecidas, largaria a questão: “quantas de vós sabeis que o bobó pode diferir de filme de Manuel de Oliveira, inhame, azeite-de-dendê e camarão?”
Publicado por Teresa C. às setembro 3, 2006 11:46 AM
Comentários
A mim, a alusão culinária era-me completamente estranha mas a asserção maliciosa é-me familiar na vastidão elástica da nossa lingua.
"Telefonema para Tóquio", "bico", "bau-bau", "pau de chocolate", são outras tantas alocuções não-culinárias encriptadas no masculino que ainda mais idomaticamente encontram eco no feminino quando se ouve..."alguma coisa de ha de arranjar!". (Risos) numa tarde de Verão.
Publicado por: JG às setembro 3, 2006 02:45 PM
Quando li o título ri-me perdidamente!!!pensei,pois pensei, no filme... do Manoel de Oliveira,é bom de ver!!!ah!ah!que outra coisa houvera de ter sido?ah!ah!
O português é aquela língua fabulosa com elasticidade a que fantasia colorido dae vida e descobrir cumplicidades...e surpresas deliciosas!
Está espantoso o texto,e o meu maior cúmplice,o homem que amo,verdade...ri-me tanto!
Beijo Tati,é inconfundivel e um gosto maior meu!
m
Publicado por: M às setembro 3, 2006 03:12 PM
Por qualquer motivo onde incluo ter trocado os dedos!(ah!ah!)o texto que "saiu" não era o definitivo,as desculpas do je e este é que é!
Quando li o título ri-me perdidamente!!!pensei,pois pensei, no filme... do Manoel de Oliveira,é bom de ver!!!ah!ah!que outra coisa houvera de ter sido?ah!ah!
O português é aquela língua fabulosa com elasticidade a que fantasia confere colorido e ...tem isto de descobrir cumplicidades com surpresas deliciosas,não acha?
Está espantoso o texto!
Lembrou-me e o meu maior cúmplice,o homem que amo,verdade...ri-me tanto!
Beijo Tati você é inconfundivel e um gosto maior meu!
m
Publicado por: M às setembro 3, 2006 03:18 PM
O que é um fellatio?
B.B: King
Publicado por: B,B; King às setembro 4, 2006 02:08 AM
É um broche
Publicado por: eu às setembro 4, 2006 03:22 AM
Aconselho a(s) página(s) da gíria sexual da Wikipédia. É só rir!
Publicado por: Tati às setembro 4, 2006 05:41 PM
E para um conhecimento mais detalhado de como se faz um bóbó, transcrevo do blog "Culinária daqui e dali":
"Cozinhe a mandioca com sal, cebola e molho branco. Bata no liquidificador, transformando em purê. Numa panela, refogue no azeite o alho e os camarões. Acrescente os outros ingredientes. Deixe cozinhar até estar no ponto, por 15 minutos. Sirva com arroz branco e farofa de dendê."
Publicado por: Eufigénio às setembro 6, 2006 12:04 PM
É Nem sempre estamos a pensar o mesmo , as palavras enganam.
R.
Publicado por: Rebecca às dezembro 3, 2007 02:04 AM