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setembro 18, 2006

BY NIGHT

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Beryl Cook

Sair numa noite de sábado com programa usual - jantar fora, copos, música, espectáculos no «lounge» do Casino Lisboa - é risco cujos enredos convém antes avaliar. Para a paparoca, seja objectivo comer bem e não trincar insípidas texturas enquanto se vê e é visto, é fácil encontrar local amável especialista na arte de satisfazer o palato. Estando acesa a conversa, humor na ponta da língua e sorrisos nos lábios, os olhos reluzem no prazer da noitada.

O ajuntamento para a janta, entre comer e rir, ronda as três horas. Começando às nove, pela meia noite o lombo do pessoal animado reclama arredo da cadeira. Bares são o destino. Bad choice! Pior não pode haver. A 2ª Circular regorgita viaturas. A Praça de Espanha simula hora de ponto. Alcântara, Parque das Nações, Bairro Alto são como pote de mel para colmeia sem abrigo. Zumbem os motores dos automóveis, fazem filas, andam a passo de caracol, melam condutores e penduras ou olha cada um para seu lado sendo de rotina a relação. Quem nestas romarias intestinas persiste, merece admiração – gente obstinada que tendo em vista um gozo não desiste nem a feijões. Pode ludibriar condutores desprevenidos, espetar dois dedos intervalados no ar, ser um senhor – engolir um cabrão ou filho-da-puta –, sofrer, sentir o cóccix e a cervical reagirem com ferocidade a horas de imobilização, que não desiste – braço de fora, cigarro na mão, tédio como rótulo na testa, mas sem desistir. “Gajo que é gajo aguenta, não dá o braço a torcer”

Quando a lata do transporte é finalmente parada e o corpo esticado, surgem passado novos obstáculos. A disposição definhou, a espera da bebida dá para vários sudoku e azedar conversas. Salvo aqueles para quem estar na maior é a natural condição, os demais dão conta do logro e gajo que é gajo cai redondo na cama e resfolega um gemido – “p’rá semana há mais!”

Publicado por Teresa C. às setembro 18, 2006 10:11 AM

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