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setembro 05, 2006
CABOTINOS? ELES?

Gen Jun
Nem mais, nem menos que nós. Inquietou-me no masculino o termo ser comum e em nós de escassa utilização. Recorri ao dicionário temendo escapar-me sinónimo. Mas não. Cabotino foi e é cómico ambulante, actor pouco competente na sua profissão; em sentido figurado, indivíduo que alardeia qualidades que não tem. A intuição não me ludibriara.
Adjectivar humano como pretensioso, pródigo em vaidade ou orgulho tolo é no feminino o normal. Cabotino vem depois, quando de tudo já o pensámos, incluindo asno-d’um-raio, convencido de m**** ou parvóide de tigela cheia. O que menos nos preocupa é o ridículo em que chafurda a pessoa em questão. A tal insensíveis? Nós? Nem por isso, apenas habituadas a atitudes desajustadas na presunção. Desde a adolescência lidamos com “fresca e boa!”, “á se t’apanhasse...”, “comia-te!”, “queres brincar às mães e aos pais?” Ao crescermos, a substância não muda, salvo o que é moda nos comentários e a agudeza roTativa-perfurante dos olhares deles. Ofensivos? Ridículos? Não!...
Rótulo depreciativo de uso recorrente revela fragilidade, pavor ou receio de nele cair também. Perturba temerem os homens de modo tão aceso o ridículo que por tudo e nada rotulam como cabotino um igual. Não fique julgado remeter a idiotice das graçolas para tempos recuados ou profissões menores. Nem um pouco! Entrada de uma mulher num escritório, restaurante, actividade maioritariamente piloca, é reveladora – embasbacam, disfarçam atabalhoados, interrompem conversas, esquecem o que vão dizer. O pescoço, parte que da cintura para cima mais mexem, todavia, não geme dolorido. Pudera!.. O treino é intensivo. Peçam aos utentes de cervicais eficazes a 360º para aspirar a casa, cortar relva, passar a esfregona, varrer o jardim, e, numa penada, ficarão partidos. Amassados. Feitos num oito. Coitaditos... Frágeis, sim, cabotinos, não.
Publicado por Teresa C. às setembro 5, 2006 08:14 AM