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setembro 09, 2006
GRANDE ELVIRA!

John Falter
Conheci várias Elviras. Aliás, nome predilectos dos padrinhos beirões. As baptizadas cresceram mansas e em adultas foram costureiras. Tanto assim, que fiz o nome sinónimo da profissão e me abespinho agora com as capelistas de franchising, do ofício fardadas pela fita métrica à volta do pescoço, porém com «sinhóra» na língua. Como os sapateiros. As engomadorias. Todos formatados. Emigrantes de mau grado. “Pode «voltarr» mais «tarrdi»?” como máxima profissional. Perdida a afabilidade das Elviras, Belmiras, Cidálias ou Deolindas.
Das Elviras da minha vida nem uma tinha pêlo na venta. Mansas desde criança, nesse particular não mudavam. Buscando defeito nelas, talvez o da subserviência modista. Maridos dominadores, esguios e mal-encarados, quem sabe de íntimo atazanado pela fita métrica no pescoço delas. Complexo? Recalcamento? Retaliação pela temida inferioridade métrica do batente? Factos eram as olheiras sofridas delas e o mau-génio deles.
Elvira Cook, setenta e nove anos, cabeleira postiça como barrete a tapar carapinha, recurvada, decidiu mudar de vida, assaltando sucursal do Bank of America. O funcionário, mal-encarado como é tradição nos homens da vida das Elviras, foi resoluto: “não, não, não! Não assalta e pronto! Vá dar uma volta.” E ela foi. A farmácia estava perto, naquelas idades há sempre receitas para aviar, e foi aí que a polícia a encontrou. Tranquila como é apanágio das Elviras. Sem entenderem que aflorando rebeldia numa Elvira, independentemente da idade, é bom sinal. Merece respeito e não 45 000 dólares de caução.
Publicado por Teresa C. às setembro 9, 2006 11:01 AM
Comentários
Essa senhora merece o seu bilião de dólares. Mr. Bush ought to know that.
A minha avó chama~se Diolinda, é a mulher mais interessante que conheci até hoje, não só pelo tempo de viv~encia que permite outros olhares e outras conclusões, mas també a coerência que fez parte da sua vida em tudo o que fez, para os netos, para os filhos e para quem estimava e a estima muito. Tenho a certeza que haverá mais mulheres assim, mas neste momento é a unica que conheço.
Publicado por: Sandro às setembro 9, 2006 08:40 PM
Quem amamos e nos ama pode ter nome qualquer. Faz parte da nossa vida. Por isso única. Os nomes que utilizo reais no mundo em que cresci. Diferentes no seu, pela certa. Ainda bem. O mundo é rico pela variedade dos seres e esperiências.
É sempre um prazer ler as suas contribuições. Obrigada.
Publicado por: Tati às setembro 12, 2006 10:05 AM
gosto mesmo deste blog!
"O mundo é rico pela variedade dos seres e esperiências." tem piada :)
Publicado por: :) às setembro 22, 2006 02:56 PM
Lol! :) Se tem! Esta saiu-me bem!!!!
Publicado por: Tati às setembro 22, 2006 06:41 PM
ja tenho net a algum tempo foi um dos contos mais interesantes que vi parabens para quem esceveu isto mas na prossima vez meta la lourdes se fizer favor obrigado
Publicado por: picante às agosto 10, 2007 01:25 AM