« DA FUGA, A ARTE | Entrada | ABÓBORA! »
setembro 29, 2006
JUÍZO FINAL

Bryce Cameron
«O dia do Juízo Final é aquele em que na Terra a solidão chega e o amor nos esquece.»
...Porque antes nos esquecemos dele, acrescentaria. Odeio teias, cabos de aço, grades, ditaduras, regras escritas em granito. E medos. Impingidos, induzidos por quem da manipulação das consciências tem o conhecimento - medo de não-parecer-bem, medo de afirmação da identidade cultural, medo de viver. Como manto negro enlutando por dentro o ser. Medo como limite ao pensamento, a actos ou omissões - a da Deutsche Oper ao anunciar a substituição das quatro apresentações de "Idomeneo" programadas para Novembro por "O Casamento de Figaro" e "La Traviata".
O maior dos medos, maior do que não ser amado, é o de não amar. No dia em que desaparece o último que nos ama, a solidão e o luto batem à porta. Entre as lágrimas e os silêncios ficam as memórias. O capital que mais conta – o amor e a sua memória.
Não amar é o vazio. A descrença. O nada onde antes existia o melhor de nós. Mas podemos amar os seres, a Terra, um Deus. Amar libertos de ansiedades e de interpelações ociosas. Gratuitamente. Pela primeira vez, sem nada esperar. Abrir a porta, sair do breu e entrar na luz que sempre atende quem a procura. Como quando em crianças fugíamos da noite e nos aninhávamos no calor de quem nos dera à vida. Para mais tarde adormecermos em paz.
Agradeço à Eterna Descontente, ao Sandes de Atum, ao Eubozeno, ao Sandro Franco, ao Zé, ao Nuno, ao Rui, ao Nuno Guerreiro e a todos os que pela via do comentário ou email foram presentes no terceiro aniversário deste blogue. Uns queridos que muito me mimaram!Obrigada.
Publicado por Teresa C. às setembro 29, 2006 08:11 AM
Comentários
Tem razão, quando se perde a capacidade para amar, perde-se a capacidade do ser humano mais próximo, a possibilidade do diálogo, a possibilidade do baraço, do beijo, do conforto sincero e desinteressado por outros que não nós. É como bater numa arede com toda a força, e ficarmos permanentemente a ver coisas abstratas, coisas que não são coisa alguma.
Belo texto Tati.
:)
Publicado por: Sandro Franco às setembro 30, 2006 02:25 PM
O vazio da alma é o que mais temo. Por isso exercito e creio no amor na família, entre amigos, com a humanidade e o planeta Terra. E com tantos amores quero dar a cada um atenção que me justifique a vida.
Beijinho.
Publicado por: Tati às outubro 4, 2006 12:12 PM
O vazio da alma é o que mais temo. Por isso exercito e creio no amor na família, entre amigos, com a humanidade e o planeta Terra. E com tantos amores quero dar a cada um atenção que me justifique a vida.
Beijinho.
Publicado por: Tati às outubro 4, 2006 12:13 PM