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setembro 02, 2006
SUTIÃS

Barn Dog
«Soutenir». Aparar. «Soutien». Sutiã. «Poitrine». Peito, mamas. «Apara mamas» na gíria. Masculina. Nacional. Sugerindo decadência. Atributos pingões. Prontas a deslizar se libertas da suspensão. Como calças de barrigudos que por via dos suspensórios as retêm. Ou pénis estafado sem reacção. Em qualquer caso decadência. Ou se aparam, ou caem no chão. Aqui chegados, é altura de olhar de lado os cães, não estejam esfaimados e abocanhem o que caiu.
As mamas naturais, isentas de cortes, implantes, injecções de sutiã químico, escasseiam nas proeminências sociais que da imagem fazem sustento. E compreendo - em tempo de espírito diminuído, a generosidade dos atributos pudendos cresce na mesma proporção. Em qualquer dos casos carecendo de mais do que suporte - tapa-mamilos. Esta é a verdadeira questão. Os mamilos são atrevidos. Revelam, sem apelo ou agravo, da mulher a natureza sexual. No tempo quente, a finura dos tecidos carece de forro íntimo, não se arrepiem os bicos mamários e expluda a fantasia dos espectadores. Masculinos, já se vê, porque as damas conhecem desses botões os humores irracionais.
A escolha de um sutiã não é acto leviano. Preservando o que o nascimento forneceu, raro é o contento feminino com cabelo, rabo, e mamas. Podem eles admirar o que nós desaprovamos que nada altera. Admito que um quarenta, até ao metro e setenta de altura, é excesso escusado. Inclina a coluna e sobrecarrega o aspecto da mulher. Depois, obriga a sutiãs reforçados, que disfarcem o peito e permitam figura elegante. Ficam espalmadas as mamas como biscoito que não cresceu. Por outro lado, sendo redondas, o sutiã é suposto exibir delas a conjunção (rego) sem dispersões banais. Entram ao serviço os arames forrados para as conter no centro. Pequenas, obrigam aos arames e a enchumaços nos sutiãs. De bom tamanho, porém largas, ou caídas, vão-se os enchumaços e ficam os arames. Com vestido cai-cai, a complicação é maior. O nada é o que prefiro. Porém, para os extremos da abonação, enormes ou pequenas, caídas como sacos de supermercado, termina pouco acima da cintura o que a caixa do peito não prevê. A desarrumação é total. Os sutiãs sem alças ou marcam gorduras ou espreitam do vestido ou não cumprem de suporte a função.
A metafísica do sutiã carece de estudo adaptado a mulheres. Empanturrados que os homens estão de imagens da perfeição dos mutantes femininos, os inocentes desiludem-se com o real, os experientes, cumpridos os mínimos, valorizam o toque, a forma que lhes enche ou sobra da mão, a macieza da pele, o mamilo eréctil à carícia, o prazer que nelas e por elas a mulher tem. E eles por vida delas – das ditas e da dona que sabe aproveitar o que tem.
Publicado por Teresa C. às setembro 2, 2006 11:02 AM
Comentários
O teu texto não é só sobre soutiens. É mais que isso, é sobre a atitude positiva que devemos cultivar em tudo. Nice blog!
P.S Onde é que arranjas estas imagens? Para além de darem uma coerência estética ao blog, são interessantes só por si. Fazem-me lembrar uma certa BD «série B» de que gosto muito desde miúdo...
Mefistófeles
Publicado por: mefistófeles às setembro 3, 2006 11:52 AM
O teu texto não é só sobre soutiens. É mais que isso, é sobre a atitude positiva que devemos cultivar em tudo. Nice blog!
P.S Onde é que arranjas estas imagens? Para além de darem uma coerência estética ao blog, são interessantes só por si. Fazem-me lembrar uma certa BD «série B» de que gosto muito desde miúdo...
Mefistófeles
Publicado por: tapornumporco às setembro 3, 2006 11:53 AM
As imagens são pinturas fotografadas. Recolho-as através dos motores de busca segundo o tema ou autor que prefiro. Obrigada pelo incentivo.
Publicado por: Tati às setembro 4, 2006 05:39 PM
Gosto deste género de imagens, li agora esses comentários do mefi.......ou do tapo.....mas antes de aqui chegar já tinha pensado o mesmo.
A Tati tem bom gosto e sabe escolher.
Parabéns
Publicado por: ventura às setembro 16, 2006 05:32 PM
já agora , o que escreves tb gosto
Publicado por: ventura às setembro 16, 2006 05:38 PM