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setembro 22, 2006
VIA POSTAL

Peter Powell
Receber notícia de multa é comum. Por via postal arribam notícias maioritariamente dispensáveis: saque por via de facturas, finanças, autarquias e infracções de trânsito. Uma houve que me localizava no Porto na Rotunda da Boavista estando à data pousada numa magnífica cidade europeia. Multa que paguei – evitar a canseira de provar que o veículo em questão dormia na garagem onde o vim encontrar intocado, valia os contos de réis. Mas era automóvel o veículo, não um tractor. E estava no Porto, não em Inglaterra. Além do mais, o tractor jamais vira mundo para lá de Carreixede, suponho que nisto próximo do dono, agricultor honrado. Lido de revés o papel, o homem presumiu que algum dos filhos tivesse andado na maroteira. Mas não. Leu melhor. Os rapazes, ainda que pudessem ter escapulido para ir à vila montados no tractor catrapiscar miúdas, beber uns copos, mostrar que se tinha mãos para aquilo para o resto não faltariam, a Inglaterra não chegariam na presumida sortida nocturna. E os moços negaram – que não, nem à vila foram e da ilha não se lembrariam, ainda mais sabendo como água atasca num ai o motor. E como estariam de volta logo pelo alvorecer? O pai cofiou a barba, meditou, coçou a cabeça e concluiu: “Aqui há caso!”
Este fait divers de um jornal noticioso lembrou-me amigo que prezo. Dobrando limites de velocidade na A1, foi à má-fé captado pelo radar. A multa veio como a do outro, pelo correio. Nem pensou duas vezes: sabendo a multa pesada ou a carta jazendo numa gaveta burocrata, afirmou convicto que o carro era dele, isso confirmou, mas quem o guiava era um italiano como quem na altura negociava. E dormiu descansado sonhando com a multa ocupada num vai-não-vai sem retorno. Meses passados – na demora do processo não se equivocara! -, recebe convocatória para se deslocar à esquadra. Reviu pecadilhos recentes, nada de grande monta, e foi em relativo sossego, que nisto de polícia e fisco só a distância é segura. Ficou pasmo: a polícia italiana fora a casa do suposto condutor e o homem, boquiaberto, logo ali provou estar nessa altura em Itália. E o polícia para o meu amigo: - “Com que então era o outro? E o senhor onde estava? A águas nas Caldas?
Publicado por Teresa C. às setembro 22, 2006 07:42 AM
Comentários
Hoje, as fotos e os filmes permitem à Polícia identificar minimamente condutor; mas tempos houve em que apenas a matrícula era tida como prova; foi por isso que um colega, quando interpelado por notificação de excesso de velocidade se apressou a apresentar a carta da mãe, senhora de provecta idade, exclamando na esquadra: "Estou farto de dizer à minha mãe que não ande pr´aí a assapar às 4 da manhã!" Diante da risota geral preservou a sua carta deixando a da senhora que há anos não precisava dela para nada.
Publicado por: JG às setembro 24, 2006 08:48 AM
Quanta saudade de o ver por cá, caríssimo JG. Como sempre comentário assertivo num tom jocoso que lhe fica tão bem.
Publicado por: Tati às outubro 4, 2006 12:25 PM