« BY NIGHT | Entrada | QUANDO A CAMPAINHA TOCA »
outubro 10, 2006
CASARÁS E AMANSARÁS

Cecil Hayter
Casarás e amansarás — Conjugium satis est juvenem dominare ferocem
O Outono coincide com o regresso ao lar e o desejo de nele renovar os dias. As obstinadas tentarão banir as resmas de roupa na cadeira do quarto. Eles, ardilosos se o dolce far niente está em causa, num resmoneio alegarão servir a cadeira para o arejamento das calças e casacos e cintos e gravatas – “aliás, acto higiénico ao evitar a contaminação do roupeiro pelo fato despido e, por isso, conspurcado de bactérias.”
Elas ensaiarão levar à prática a frase publicitária da TMN: “...de manhã também é bom...” dispensando o “...a minha mãe gosta de tomar banho primeiro.” Eles, após o erecto acordar mictórico, murcharão atributos e energia. “Fica para logo, «quiduxa», agora não há tempo.” E vão ao computador, vêem as primeiras na televisão, fumam um cigarro, só depois disparando para o despacho da saída. Com a pressa nem reparam no gelo do beijo delas.
Na ânsia de mudanças que se vejam, já que das sentidas foi diluída a esperança, elas desfolham catálogos do IKEA, obrigam-nos a entortar o rosto como quem presta atenção mas tem olhos de vidro fixos no ecrã. Eles dão de barato o acordo ao não-visto e somente na tarde de sábado, metaforicamente enfiados «nelas», percebem a ratoeira. Arrastam a infelicidade visível de homem-vítima-de-maníaca. Uns tristes, uns sem-abrigo da determinação feminina. Confrangem, pobrezitos...
Para doce regresso à conjugalidade outonal, deixo receita de uma amiga: se o parceiro emudeceu, ficou frio, sofre de cegueira selectiva ou embarrigou para cima de uma arroba de quilos, há solução: fazê-lo caminhar cinco quilómetros por dia. Ao fim de duas semanas estará a setenta quilómetros de distância. Nada mau!
CAFÉ DA MANHÃ
Excelente o artigo sobre “A Má Fama dos Professores.” É tema que tenho na calha.
Publicado por Teresa C. às outubro 10, 2006 09:26 AM
Comentários
E no recanto do olho, em cais de lagrimas liofilizadas, julgará vê-la finalmente feliz.
E sobreporá pé ante pé, tupa tupa, arfando pelo canapé, onde, nua, sempre esteve Ela, ou um fato vazio e amarrotado.
Agora sem bussola, procurará o ser nórdico, ou o resvalar abraçado para um cálido celeiro.
Parabens atrasados.
Publicado por: Henrique yogador às outubro 10, 2006 05:16 PM
Belo texto! Fiquei com a nostalgia de idos em que lia inícios de textos assim. Obrigada.
Publicado por: Tati às outubro 11, 2006 09:25 PM