« FREDO OU CALDO? | Entrada | Meu Manuel, »
outubro 26, 2006
CHUVAVA

Jim Warren
“Chuvava, chuvava, chuvava”- assim descrevia a Nadette, francesa de gema e por isso com miúdo rosto de pevide, o temporal da tarde. Uma outra, a Lise, alta e enérgica figura, começava o dia espreitando pela janela. Sendo cinza ou pingão, resmungava: “le putain du temps, hein... le putain!” Jamais perguntei se aplicava à meteorologia matinal o poema do Michel Sardou? “Chuvava” e “le putain du temps” ficaram como graça familiar.
Pingos múltiplos em bátegas como da chuva faz parte. Da chuva, sim, que dos orgasmos femininos em cascata - momentos inolvidáveis nos currículos masculinos - estamos fartas que eles os tragam à colação. As expressões múltiplas do nosso prazer como troféus que a habilidade do homem alcança, quais cabeças de caça bravia empalhadas na parede do ego, confrangem por imbecis. Provam do masculino a eterna e penosa dúvida da eficácia(?) sexual.
Pois foi precisamente na noite em que muito «chuvava» que as superiores entidades julgaram por bem referir a subida do preço da água tendo em vista desperdícios e períodos de seca. As notícias misturam factos e cospem bombeiros sacando água dos domicílios, garagens e comércio. Exibem viaturas espalmadas pelas árvores na horizontal. Provam o desespero das gentes pelos prejuízos e sustos e morte. De caminho, anunciam que a água sobe por ser escassa e cara a exploração. Como sentido de oportunidade foi do melhor!...
Publicado por Teresa C. às outubro 26, 2006 07:41 AM
Comentários
:-D
sabe bem o som da chuva. lá fora.
e não ter de contar. porque o agora sabe bem.
sabe bem não ter de contar. porque os ontens vão importam. não contam. e não há que o que contar. não há trofeus para arrecadar. nus não temos bolsos para guardar seja o que for.
saborear. há que saborear.
e a chuva batendo lá fora sabe bem, muito bem.
abraço,
nuno
Publicado por: anarresti às outubro 26, 2006 11:48 AM
Gosto da chuva, inspira-me, é independente, não dá tréguas a ninguém e é sempre bem vinda. Gosto de conduzir à chuva também, pode parecer "pancada" mas é mesmo assim.
...
A mulher não é nenhum troféu.
Sexo: somos todos fracos quando não conseguimos oferecer o que de melhor sabemos fazer (saber escutar inclusivé)- aprender a dar prazer? ter gozo?
Eu: não faço a mínima, nunca sei o que faço apenas quando o faço e o que mais aprendi até hoje é a confiar nela (o tal orgulho de que fala não sabe conviver com isso, e eu por breves momentos de insolência já o tive).
...
Curiosamente ouvindo (já a devo aborrecer com tanta música) "The Darkest Lie" dos Poison Black
Publicado por: Sandro Franco às outubro 26, 2006 04:53 PM
:)
Beijo.
Publicado por: Katraponga às outubro 26, 2006 10:59 PM
Nunca aborrece e são sempre benvindos aqueles que por aqui me vão dando réplica não me deixando a falar sozinha. E quanto à chuva dela aprecio os dedos líquidos deslizando nas vidraças. Beijinhos.
Publicado por: Tati às outubro 28, 2006 08:34 PM