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outubro 23, 2006

ÉDEN QUE DURA

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Husami

Podia dizer que não disse. Podia confirmar o dito. Podia ter corrido para a cozinha pretextando queimada a lasanha, fosse caseiro o momento. Podia, mas recusei. Ostentei o silêncio, derramando no teu olhar o meu. Lábios semiabertos prometiam a palavra. Ou não. Não retirei das tuas as mãos. Conservada a proximidade dos corpos. Não atentei na chuva e no vento e nas gentes em fuga da rua. Perdida foi a noção de tempo. Conservada a velocidade do pensamento.

À pergunta evitavas a urgência. Foram os «ses» insuportáveis - “e se não for?”, “se estiver enganado?, “se for matiz novo e inocente o responsável?” – a sobreporem-se à tua vontade. “Não me queres contar?” foi trovão que o relâmpago do teu rosto acompanhou. Podia prever próxima a borrasca. Temer da energia o incêndio. O esvaziar da seiva do nosso afecto – a confiança. Enganados os dois ao julgá-la sólida como tronco de tília. Pela trovoada soubemo-la de cristal.

E tinha para contar. Éden que dura. Lago de água serena recolhendo da terra os tons e do céu o azul ou o cinza. O mundo aberto na planura de um leque aos meus pés. Um passo e desdobrara em dois o coração. Na tua fracção há a doçura da harmonia, da outra conservo a porta aberta. Nunca a fechei. Por isso disse o que disse – “Amo-o. A ti? Quero.”

Publicado por Teresa C. às outubro 23, 2006 10:11 AM

Comentários

Oi!

Amo-o e tb o quero! lol

Bjokas

Publicado por: LaddyC às outubro 25, 2006 01:44 PM

Oi!

Amo-o e tb o quero! lol

Bjokas

Publicado por: LaddyC às outubro 25, 2006 01:46 PM

E faz muito bem.

Publicado por: Tati às outubro 28, 2006 08:31 PM

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