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outubro 25, 2006

FREDO OU CALDO?

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Keith Garv

Se a ele ocupava fracções saborosas da noite, a ela não era indiferente. Como o mais que lhe compunha o dia-a-dia. O acordar sempre cedo demais, de madrugada, dizia, conquanto somente às oito e meia bradasse o telemóvel. Odiava relógios. Não possuía nem um. Aos despertadores reservava raiva pelo tiquetaque audível quando abandonava o corpo, fosse dormir ou não a função. Tinha coisas destas, como a do cigarro fumado na cama, um olho semifechado e o outro não, ou a da janela sempre aberta indiferente ao ciclo das estações. Por pequeno-almoço um café, por almoço uma sanduíche frugal; mais nada até à hora de jantar. Aí, sim!, repunha energia medida por muitos Joules. Ao serão era o remanso com as tecnologias por perto.

Ora, sítios onde é possível ir com o rato entre os dedos são galáxia inteira a pedir circum-navegação. Que ele cumpria de raro em raro, por ter arrebanhado para os favoritos um sistema solar inteiro. Caldo ou fredo eram opções para as noites. Fredo para começo, caldo para serão meio. Acabava, fatalmente, com ele na mão. Mais fazia: arribando insónia, manipulação rigorosa e meia hora passada dormia ao colo dos anjos, das «anjas», dizia ela.
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Keith Garv

Numa das esparsas noites a dois, de o usar na função costumada ele hesitava. Que não, que a preferia, que dela vinham prazeres maiores. “Diferentes”, dizia ela apontando com o pé esticado na direcção dos lábios dele. A seguir, corrigia, lânguida, olhar atrevido no dele: “melhores, concedo, deliciosos...” E ele assentia enquanto a vibração aumentava. Sem insistência, passou-lho para a mão. Ela abordou-o sentindo do infinito o prazer. Suavemente, aflorando, contornou-o. Tocou-o depois. Sentiu-lhe as curvas bravias, a dimensão vibrante. Só para ela. Hesitava. Ele deu conta. “Mais acima. Aí mesmo.” E ela submetida como virgem que satisfaz homem experiente. “Sim, forte. Espera. Mais um pouco. Agora!” Decidida, carregou no X – derrotara com magia, quase expirando pela diminuída vida, um boss Percebia-o finalmente – jogo aliciante e comando da playsTation eram combinação soberba. Como preliminar, novidade. No final, ao fogo-de-artifício foi intocado o esplendor.

Publicado por Teresa C. às outubro 25, 2006 06:46 AM

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