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outubro 15, 2006
JOBBY

Quinta-feira. Dia de antecipação – da tarde e fim de dia de sexta, do final da semana a pedir justa celebração. Ao telefone, ele dizia – “vem ter comigo assim possas; espero-te.” Segundos eram corridos, ela revendo obrigações, compatibilizando o desejo do sim com a probabilidade do não, e ouve “Vou levar a playsTation. O jogo é espectacular. Ainda nem saiu em Portugal!” - Que sim, que levasse, mas certezas não tinha e eram prováveis problemas familiares. No dia de sexta veriam. Desligaram.
A playsTation como vértice num triângulo entre o par e a máquina deixou-a cabisbaixa: “homessa! Pouco é o tempo para nos vermos e fala-me de jogo mais apetitoso do que os nossos? Sou patética, p’rá aqui plantada com máscara verde-cueca na cara, depilando recônditos lugares, mimando com creme o corpo que ele diz cetim por onde lhe vagueiam as mãos. Pior: habituada a jogos que dispensam comando de plástico e ecrã...” Adormeceu desiludida, como em criança quando lhe desdiziam promessas.
O dia de sexta complicou-se para os dois – ela não ia e ele podia reservar o serão para o comando dele. No caso, parecia, o da playsTation. “Hobby como outro qualquer.” “Jobby!”, resmungava ela. “Nem dançando sevilhanas em torno dele o tentaria. De olho vidrado e prolongando o braço no comando electrónico, diria – “A esta hora? O que te deu? Deitadinha não estás melhor?”
Publicado por Teresa C. às outubro 15, 2006 11:16 AM
Comentários
delicioso
:-D
Publicado por: anarresti às outubro 18, 2006 11:57 PM
Beijo saudoso
Publicado por: Tati às outubro 19, 2006 10:16 PM