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outubro 30, 2006
O ENGENHEIRO QUE DECIDA

Deborah Poynton
As convulsões sociais vão e vêm para voltarem a ir. Na presente mutabilidade dos humanos, seis meses são lençol para imprimir cinquenta anos de factos de outrora. Das maternidades fechadas por esse país fora é ido o falatório. Sigilo bancário escancarado por interesse das finanças quem o lembra? E do aeroporto da Ota, quem dele fala agora? Ao sabor das habilidades governamentais e noticiosas saltitamos de um facto para outro sem concluir a digestão racional de cada um. Frivolidade que a rapidez social induz? Cortinas de fumaça escondendo perversa manipulação dos cidadãos?

Deborah Pynton
Passageiras inquietações de quem o quotidiano viu atingido pela onda de renovação(penúria?) não explicam a multidão saída em magotes para a rua que grita e expolinha descontentamento onde quer que o Engenheiro Sócrates vá. Bem pode o Governo orquestrar propaganda ou multiplicar – algumas credíveis – explicações. Delas o povo entende a contenção económica e a urgência de mudança. Rejeita a incoerência, arrogância, autismo e desditos – num dia o aumento da energia é 13%, depois 9%, finalizando nos 6%, noutro, pelo começo da noite, foi alcançado entendimento com os sindicatos dos docentes e no alvorecer do seguinte vem o desmentido.
O povo português será como o descrevem: miúdo, feiote, baixinho e com vista curta. Uma coisa é certa: de parvo nada tem e abespinha-se com razão se como tal o (des)consideram. A gentiaga na rua é aviso sério – os portugueses estão magoados. Ou o Engenheiro e o Governo arrepiam caminho na forma de renovar o que há muito está precisado e têm a sensibilidade de atender à dureza da vida da maioria do povo, ou afundam a bondade da intenção reformista pela rejeição colectiva. O Engenheiro que decida.
Publicado por Teresa C. às outubro 30, 2006 10:14 AM