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outubro 19, 2006

PÉS NUS

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Mozert

Vestido de noite. Sandálias com salto afilado. Busto cintilando acima do decote fundo. A cintura moldada pelo cetim. Caindo pesado. Marcando curvas desdobradas da anca. Sugerindo, ao andar, pernas longas. Prolongadas em vertiginosos saltos. Sorrindo. Feliz. Capturando no olhar os flashes. Repetidos. Sons - os trrrack-trrrack das câmaras fotográficas. E o brilho do gloss resplandecendo. O dourado escuro do cabelo longo. Ondulando. Como requebros do cetim. Assim devia ser. Não foi.

Calças em malha de algodão com atilhos na cintura. Uma T-Shirt a combinar. Branco e rosa-carmim. Pés nus. Rentes ao chão. Rosto lavado, perfume leve – no corpo, nos lençóis. Em todo o quarto, pelo anoitecer. Jazz forrando as paredes. Luzes veladas. Verde-lima, branco, notas de laranja, madeiras claras. Flores e folhagens tropicais num jarrão. Pelas paredes, óleos. Cerâmicas. Sisal no chão. Tecidos fluidos. Macios como cetim. Como a noite. Como o amor e a feitura dele.

Um jantar na cidade. No bairro. Num pulmão da cidade. Passadiços em madeira encerada. Água saltando em cascata entre eles. Árvores adultas, relva aparada. Um piano, uma voz cantando – sussurrando? – “As Time Goes By.” Risos na noite. O pavimento molhado. Frio outonal. A saia de chiffon como nada. Sapatos de salto. Meias com liga de renda larga. Bordada. Tons de Outono que a saia repetiu. O verde húmido da terra na camisa de cetim. Que brilhava.

Computador aberto após o regresso a casa. Uma olhadela aos emails – “tantos! Porque me envolvi em quatro projectos científicos? Quando aprenderei a comedir o gosto de aprender?” Saber do prémio veio depois. Boquiaberta! Envergonhada ao ler aqui um escrito de penada e meia, recortado até aos dois mil caracteres. E não me reconheci. Texto vadio. Como eu. Como o espírito atento da Rita Barata Silvério. Obrigada.

Publicado por Teresa C. às outubro 19, 2006 07:38 AM

Comentários

"Voilà que j´ai touché l´Automne des idées." - Beaudelaire. Gostei das 3 fotos de Outono; mudanças; vermelhos, ocres e verdes sobre tons terra; longe ainda do Outono das ideias.

Publicado por: JG às outubro 19, 2006 06:33 PM

Querida,

De nada. Foi com imenso gosto que li o teu magnífico post. Não te esqueças de me mandar a morada (e o tamanho)

Um beijo

Publicado por: rititi às outubro 19, 2006 06:37 PM

JG - Et pourtant nous sommes vivants... Q'on aime et ont la mémoire des temps vibrants. Un baiser de toujours.

Rititi - Minha querida, o tamanho segue aqui: médio para que o peito não tolha e pare um tudo nada acima do umbigo - gosto de o sentir respirar... ;) O resto digo por email.

Beijo grato

Publicado por: Tati às outubro 19, 2006 10:29 PM

Adorei o post. Prémio super bem atribuido!

Publicado por: Mcm às outubro 20, 2006 10:07 PM

voilá...

é mesmo isto!

incendiárias palavras...

Publicado por: Bandida às outubro 21, 2006 12:23 AM

Agradeço a todos a simpatia. Beijinhos muitos.

Publicado por: Tati às outubro 24, 2006 10:10 PM

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