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outubro 04, 2006

SAP, CATUS, TAC

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Carlos Diez

E não se pode virar o país de pernas para o ar, chocalhar, baralhar e dar de novo? O infortunado Portugal corre o risco de ensandecer sob o jugo da penúria vestida de competência. O governo é socrático por duas razões: presidido por Sócrates e pelo método de parir ideias complexas que somente iluminados ou iniciados entendem através de perguntas, respostas e mais perguntas. Como ao exercício lógico as lusas gentes escapam, e ao pragmatismo preferem a fatalidade, o método Socrático mais parece coisa de doudos que de gente sã.

Irá fechar caterva de urgências por esse país fora. Meia hora, diz o estudo que fundamentou a decisão – persistem os erros, mas quem erra estudou a questão e pagou aos puTativos culpados -, será o tempo médio de um doente aceder à urgência hospitalar mais próxima. Para um milhão de portugueses três quartos de hora será o tempo máximo, assim a morte espere e a vida os segure. Nem é muito, se pensarmos o que à hora de ponta um desgraçado sofre desde a Ameixoeira até Santa Maria. Para o Curry Cabral nem pensar, que encerrou para aflições de última hora.

Todo o português se comporta como órfão de pai, atribuindo ao Estado o dever de ad eternum de tomar conta dele. Falhando, desanca-o pela língua, preguiça e argúcia. Estava o povo habituado a trocar Centros de Saúde, SAPs e CATUS - incompatíveis com dias parados no emprego e não fornecendo, de mão-beijada, especialistas, TACs, análises e outros exames complementares de diagnóstico - pelas urgências hospitalares, quando o método socrático do faz-agora-responde-depois lhe troca as voltas. Aumentará nas urgências restantes a espera pelos raros médicos de Medicina Interna, e numerosos clínicos gerais – de dia estão no Centro de Saúde, ganhando no tempo livre mais uns cobres fazendo Bancos - ou mesmo tarefeiros – licenciados em medicina mas sem especialização. O especialista fica como última estância se a gravidade do caso a justifica e for passado o teste à paciência do ror de horas para obter o resultado de um exame.

Em síntese: o estudo pariu monstros. Dotar os Centros de Saúde e SAPs e CATUS – serviços de saúde de primeira linha - com especialidades várias e meios complementares de diagnóstico serve melhor as populações na detecção precoce dos males e descomprime os hospitais das falsas urgências. E se são muitas... Pudera! - Médico, exames e especialidade pagos com uma reduzida taxa moderadora... Ah matreiro povo que esta terra pariu!

Nota: ao lado, nos Adoçantes, a suavidade do Teor da Pele.

Publicado por Teresa C. às outubro 4, 2006 06:57 AM

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