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outubro 17, 2006
SEM-REI-NEM-ROQUE

Deborah Poynton
Não seja falado o Pénis por distracção da actualidade nacional - os portugueses ilustres, as taxas na saúde, mudanças nas carreiras, a tirada infantil do Ministro da Economia, desemprego, a carestia de vida, percursos da Carris mudados, manifestações dando voz ao descontentamento geral. Ora bem!, um de cada vez.
Na lista dos portugueses ilustres falta o Salazar. Concedo ter feito o homem jus à condição de pároco frustrado. Com vistas curtas, agarrado à ideia de ter descido à terra beiraltina no coração do terreno (território é demais!) português para salvação nacional. Como a Senhora de Fátima em aparição, trocada a azinheira por palácio governamental e a permanência de minutos miraculosos por quarenta anos de dor. Nos primórdios da gestão do país, Salazar deu rumo a um povo sem-rei-nem-roque e às turras, endireitou as finanças. Tivesse a cadeira do poder atirado mais cedo o homem para o chão, e seria incontestada o nome no rol dos ilustres.
Reacções às taxas na saúde, reviravolta nas carreiras da Função Pública e da Carris atiram ao ar o povo, depois caído na rua. Causa comum: somos avessos a mudanças como gatos a água. Privilégios diminuídos de braço dado com desinformação e «apre que é demais!» (desemprego e carestia aqui inclusas) explicam o descontentamento das multidões sem tretas como razão - se há empresa difícil é sacar as gentes ao ramerrão das vidas e pô-las a mexer para a rua.
O Ministro da Economia foi um querido – quis animar o pessoal e decretou o fim da crise. Uma boa alma, ali onde o vemos, porém um «contentinho» como a maioria dos que chegam ao poder. Quem me dera pisar os tapetes fofos dos palácios e gabinetes!... O tom pardo da vida do cidadão comum mudava para cor vibrante de néon. Atrevo-me a mais: o país deles não é deste mundo - está encastelado nas irisadas nuvens do Além.
Publicado por Teresa C. às outubro 17, 2006 07:24 AM