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novembro 17, 2006

AOS VINTE SUSSURAVA...

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Autor que não foi possível identificar

Mulheres: onde pára o nosso atávico gosto pelo glamour? Qual o requebro do caminho rumo à autonomia e horizontes alargados onde perdemos o ar frágil, vagamente precisado de amparo, obviamente de afecto? O gosto por pérolas, pelo tailleur e camisa de decote fundo? O natural equilíbrio sem dietas ou contagem maníaca de calorias ou preocupação com o rabo que é rabo e honra uma saia justa? O gosto pelo jóia única pendendo do pescoço? As meias encimadas por renda bordada e que na coxa subida libertam o que acima segue? A meiguice na palavra e no olhar, a insinuada nostalgia pelo amor que o não foi? Muito do que poetas e músicos e a literatura mais o cinema enalteceram na mulher? Diamonds Are A Girl's Best Friends?

Estudos provam termos diminuído expecTativas no que aos presentes dos nossos homens concerne. Livros, uma roupinha, perfumes ou bijuteria. Viagens e jóias descem ao meio da lista. Eles, que de nós somente alguns entendem ínfima fracção, insistem nos CDs ou vídeos, presumo clássicos ou de acção. Viagens e jóias somente 4% e 2% dos homens, respectivamente, se lembram delas para nos presentear. Das mulheres e dos homens assomam expecTativas modestas. Fatalidade, crise ou evolução natural?

Tenho por amiga mulher assertiva, cuja evolução descreve assim: “aos vinte sussurrava «foda-se» quando as coisas iam menos bem. Aos trinta passei ao «fodam-se os homens». Quarenta anos arribados, mudei para «fodam-se todos», portanto, a sociedade em geral. Todavia, introduzi nuance no desabafo: perante homem que a cabeça de cima usa tão bem como qualquer mulher, murmuro, dolente, “fode-me...” Acrescenta, deleitada, sorriso doce nos lábios: “pedido por nós sabe melhor.”

Publicado por Teresa C. às novembro 17, 2006 07:32 AM

Comentários

Parece que a quase inexistência do jogo de sedução retirou a imaginação aos homens.
O jogo de palavras do último parágrafo está fenomenal (para não dizer fodido).

Publicado por: twlwyth às novembro 17, 2006 12:36 PM

Sim, o último parágrafo é isso mesmo - está alia mais, não faz parte daquele texto!

Publicado por: -pirata-vermelho- às novembro 17, 2006 03:28 PM

Que saudades que eu já tinha de uma mulher que discorresse inteligentemente sobre a maravilha do feminino!
Mas parece-me que a culpa não está toda nos homens. As mulheres é que se tornaram menos exigentes, desqualificaram-se ao recusarem-se a ser tratadas como seres de excepção.
Sabe que já fui seriamente repreendido, por colegas minhas, por as deixar passar primeiro, levantar-me para as cumprimentar ou abrir-lhes a porta do carro?
Quem é que vai oferecer jóias, viagens ou mesmo flores a gente assim?
«Ai, Luís até me sinto mal de sair contigo, sempre tão obsequioso, tão delicado.»
Tive de embrutecer, para continuar a sair sem problemas, com as mulheres que me agradavam.
Um abraço
Pensei que a raça de mulheres que descreve já estava extinta!

Publicado por: Maia às novembro 17, 2006 07:00 PM

nas mulheres gosto de diversidade. da palavra raça gosto, e só às vezes, de a ver usada com uma apropriação que a deturpou com piada. quase a transformou num adjectivo ou num advérbio. nesse sentido há quem a tenha. raça. e poderia dizer o mesmo da distinção ou da classe. mas eu gosto muito de atletas. de mulheres despachadas, práticas. atraem-me roupas desportivas. o corpo em calças de algodão. ou que tomou de empréstimo as camisolas comicamente grandes do homem, as minhas. gosto de mulheres que não precisam, nem se lembram que eu posso abrir-lhes as portas, ceder passagem ou ceder o que seja. e nesse patamar há toda a vulnerabilidade possível. e todos precisamos de conforto. e sou forte, tenho os meus músculos de homem. e apoio e agarro. mas galanteio é palavra com sílabas aos solavancos que me faz confusão. talvez por isto tudo, uma mulher que não tem pretensão de ser uma barbie nem se candidata a boneca de porcelana e me surge como uma mulher me surpreende. os artíficos quando se querem mostrar como uma competência são um aborrecimento muito elegante mas não deixam de ser um aborrecimento. uma pessoa que se conhece, se ama, se dá a conhecer na sua beleza e não se submete... bem, já fui apanhado de surpresa várias vezes. e muitas vezes a ideia que eu tenho do tipo de mulher que gosto não vale nada perante a mulher inteira que está, e não é uma ideia. presentes gosto de dar e dou. fora de prazos, validades e oportunidades marcadas. e há outro tipo de presentes. gosto sobretudo da atenção da ternura. pode a atenção de um rigor feito do gesto aprendido ou sobreposto ao resto tornar-se pesado ou retirar espaço ao essencial. entre duas pessoas o tal de galanteio pode ser muito saboroso se os dois estiverem nesse cumprimento de onda. tudo conta. quando se toca, sem demasiada sofreguidão, no que não é só roupagem, há calor. e eu gosto de me aquecer na lareira de uma relação, no lugar de uma conversa.
um abraço.
nuno.

Publicado por: anarresti às novembro 17, 2006 07:44 PM

Leio sempre todos os artigos de "Sem Pénis nem Inveja" e tenho de confessar que nutro uma admiração verdadeira por este blog tão autêntico, tão despido de preconceitos sem nunca no entanto perder a elegância. Admiro ainda o seu sentido estético com a publicação de fotos de alto gabarito e muito bem escolhidas.
Mas quando hoje li este artigo,não pude deixar de me rir. Como nós mulheres conhecemos bem os homens e como a autora soube bem expressar neste artigo e no sentido duma simples palavra "FODA_SE" o pensamento quase uníssono de todas as mulheres. Minha amiga é sorrindo que lhe expresso aqui os meus parabéns e lhe digo a seguinte frase: COMO EU A COMPREENDO. MARIA

Publicado por: Maria às novembro 19, 2006 06:28 PM

Maria - que bem sabe sentir outras mulheres em sintonia com as que me rodeiam e fazem algumas o favor de ser minhas amigas!... Obrigada, Maria.

Publicado por: Tati às novembro 21, 2006 06:56 PM

Twlwyth, Maia, Anarresti - os vossos comentários, esses sim, por que espontâneos e vindo da metada da humanidade que tanto admiro, estão geniais.

Publicado por: Tati às novembro 21, 2006 06:59 PM

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