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novembro 18, 2006

DE IMPROVISO E SEM AVENTAL

Dinh Dang 4.jpg
Dinh Dang

Arte só é arte se for princípio e fim. Ideais não estéticos contaminam-na como sabor a presunto nas batatas fritas de pacote – ficam longe do presunto e das batatas fritas foi perdido o sabor. Numa peça teatral pouco importa o lado político para onde cai o autor. Numa ópera, escultura, tela, concerto é procurado o contacto com a beleza intangível, não com a realidade por desta haver de sobra desde o acordar ao dormir. Arte realista é contradição – as trivialidades quotidianas sem acrescentos mentirosos não seduzem ou deixam pairar no limbo do perfeito à escala humana.

Uma peça de teatro ou um filme sobre a banalidade dos dias que não remeta à elevação do espírito é como recepção de gala para dezenas de pessoas em que é servido carapau. De um banquete é esperado estímulo do apetite para pratos fantasiados – iguarias regadas com molhos espirituais, acompanhadas por formosas saladas de inteligência, regadas com emoções requintadas. Deparar com uma descrição da vida-tal-qual é pobreza que a carestia do bilhete excede. É desaforo que o espectador não merece. A alguém ocorre pagar para, de improviso e sem avental, ensanguentar as mãos nas entranhas do peixe e lhe retirar as guelras?

CAFÉ DA MANHÃ

Ao Cinco Dias, ao Canhotices, e ao Francisco Araújo agradeço a amabilidade de listarem este blogue. Ao Tó Colante, ao Filipe Alves Moreira, e ao caro André Carvalho um obrigada especial por terem seleccionado a Tati e o “Sem Pénis, Nem Inveja" para melhor Blogue Feminino.

Publicado por Teresa C. às novembro 18, 2006 12:30 PM

Comentários

A ambiguidade da arte pode todavia prodizir-se à custa da maximização do rigor da linguagem, do preciosismo ou mesmo do 'piroso', num exceso de representação - seriam pois ultrapassagens do comum.

Publicado por: -pirata-vermelho- às novembro 18, 2006 04:45 PM

A ambiguidade da arte pode todavia prodizir-se à custa da maximização do rigor da linguagem, do preciosismo ou mesmo do 'piroso', num exceso de representação - seriam pois ultrapassagens do comum.

Publicado por: -pirata-vermelho- às novembro 18, 2006 04:45 PM

Neste caso é sem dúvida Açúcar.
Vi pela primeira vez hoje e dou-te os meus parabéns. Adorei as temáticas e a leitura. Já fiz inclusivamente um post sobre este blog. Força, vou ser leitor...

Publicado por: Consciência Critica às novembro 19, 2006 02:52 AM

Caro Pirata - o seu ponto de vista tinha-me escapado. A ser assim, teríamos o Toy e outros cujas cantorias são de teor quejando produzindo o que, por diverso e fazendo muitos sonhar e entrar em êxtase, seria obra artística. Hummm... Parece que falhei o meu raciocínio algures. ;)

Consciência Crítica - Muito obrigada. Tê-lo por aqui é um prazer.

Publicado por: Tati às novembro 21, 2006 06:54 PM

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