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novembro 21, 2006

O MEU É MAIS QUE O TEU

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Autor que não foi possível identificar

A Luisa é amiga de anos. Mulher bonita, morena, dona de exuberante cabelo negro luzidio como tição, alentejana e um par de anos mais nova que eu. Urbana por obrigação, nada nela contradiz o ar cosmopolita que vinga na capital. Os fins de semana desmentem-no, mas isso somente os íntimos sabem. Chegada ao monte que possui perto de Santiago do Cacém, troca os saltos por botas caneleiras e vigia a terra com amor. Activa como poucas, tem o dom da resposta oportuna em qualquer ocasião. Um exemplo: chegado ao monte comprador de cereais, pôs-se o problema de carregar o transporte na falta dos trabalhadores. Sugere fazerem os dois o carrego. Vai daí, pergunta o comprador: “então e o sê homem? Está dormindo e nã acorda?” Ela sem se desmanchar: “deixe-o dormir que é do modo que não me arreia com o cinto.” “Ai coitadinha que já tem para si. Deixe que carrego eu.” Assim foi.

Por isto e mais aquilo estivemos anos sem nos vermos, de uma a outra sabendo por amizades comuns. Recuperámos os contactos há curtos dias. Ela antecipou-se – foi a primeira a ligar. Depois de exuberante evidência da alegria comum, retomámos, como se minuto não fora passado, o fio à meada da conversa interrompida tempos atrás. Quis saber se havia homem por perto. Respondeu-me num despacho – “há, mas é um cabrão!” E dali correu, solto, o riso. Pergunta depois: “e a Mané como vai?” – “Apaixonada, feliz, do novo amor descrevendo a perfeição. Dá gosto vê-la.” - “Ah... ela ainda não sabe?” – “O quê?” – “Que ele é um cabrão!”

Publicado por Teresa C. às novembro 21, 2006 07:36 AM

Comentários

Só a título de curiosidade...julgo que o quadro é da autoria do pintor norte-americano Norman Rockwell

Publicado por: Poeta Aprendiz às novembro 22, 2006 01:51 PM

A realidade como desculpa, e a cobardia por vocação é o que move muitos homens, e eu conheço alguns, garanhões de língua e mentalidade completamente funcional.
Observo, mas são as mulheres que me fascinam, corpo e mente. Mais não vale a pena explicar, mas comigo passa tudo pelo respeito e pela aceitação que, o que de bom der de fantástico recebo.

Publicado por: Sandro Franco às novembro 22, 2006 11:02 PM

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