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novembro 22, 2006
PALPÁVEL E BELISCÁVEL

Anthony Christian
Caulfield, li algures, defendia a inexistência de uma realidade palpável, com excepção do traseiro da vizinha mexicana Lolly Rodriguez, que era, nas suas palavras, "palpável e beliscável". Na prisão, onde passou 10 anos por porte ilegal de armas, Caulfield criou as bases da sua Filosofia Moral, tentando desenvolver uma ética baseada na liberdade de cada um fazer o que bem entender da vida. Pensamento marcante: "Há um sólido equilíbrio em todos os elementos do Universo, que une e dá sentido às coisas. Desde que o sujeito não tenha entornado sozinho uma garrafa de Bourbon."
Holden Caulfield, um personagem criado por Salinger e protagonista da novela The Catcher in the Rye, cáustico da sociedade de elite em que nasceu, foi homem que viu longe. Muito Longe. Tão longe, que a realidade palpável mais próxima pertencia à vizinha. Pelo visto, o gosto do homem assemelha o nosso: trazemos como imigrantes meninas de aluguer, emigram trabalhadores. Somos latinos dados a oito ou oitenta - tanto exportamos cérebros como músculos, seja o pilim maior.
Voltando a Caulfield – não prescindimos do palpável e beliscável. Apalpa-se, logo existe. Ou se belisca. Ou vasa de uma mão. Infiro, pela importação de mulherio, ou que as lusas fêmeas não bastam aos parceiros, ou a apalpões dizem não, ou eles têm mais olhos que barriga. Atendendo ao que elas, à sorrelfa, dizem, julgo ser esta a questão. O lar doce lar não erotiza os casais. Serão os detergentes, as batatas, o azeite ou a pasta de dentes que consumidos a meias entediam Éros até o pobre jazer em pura hibernação? Ora isto é sério – casal que não prepara aromática sopa e um manjar sem pôr como dilema paparoca ou te(n)são, sofre de excesso de realidade não beliscável. Acenda ele as velas, num requebro anuncie ela o desejo, noutro alise o palpável, amacie ele o beliscável, e Éros acordará de rompão.
CAFÉ DA MANHÃ
Pela companhia agradeço à Bruxinha, e ao Coisas de Tipo. A Simplesmente Joana teve a simpatia de seleccionar a Tati para melhor bloguer e o “Sem Pénis, Nem Inveja” para melhor blogue. Muito obrigada.
Publicado por Teresa C. às novembro 22, 2006 06:33 AM
Comentários
Cumplicidade em tudo (no preparo e no manjar inclusivé), palpável, beliscável, e o resto são coisas que não se dizem, penso eu.
Publicado por: Sandro Franco às novembro 22, 2006 10:52 PM
Sempre um gosto, estas linhas...
Publicado por: Katraponga às novembro 22, 2006 11:29 PM