« COM-PÉNIS-E-INVEJA | Entrada | PEDRA DE SAL »
dezembro 20, 2006
DE JUDAS A BARRABÁS

Kenney Mencher
Desventurados. Perseguidos. Manipulados. Dominados. Merecem compaixão. As agruras começam cedo. Infelizes desde tenra idade. O “porta-te bem” como passado, presente e futuro. “Arruma os brinquedos”, “come tudo”, “não te sujes”, “não faças isso”, “não é assim”, “não sejas criança”, “não comas porcarias”, “não sejas patife”, “não me desobedeças”. Não!, não!, não! E os pobres coitados habituam-se. Alguns resistem – às imposições fazem ouvidos de mercador. Ainda assim com matizes: rebelam-se e optam pelo estatuto de espírito de contradição (insuportáveis pelo mau-génio), ou fingem-se conformados enquanto a real gana comanda (danados para a brincadeira, gatinhos em casa).
Verdade é constituirmos para os homens miscelânea de mama e colo, madrastas, governantas temíveis, detectives a saldo da ovulação, preceptoras de vergasta em riste, leoas, santas milagreiras, amantes que lhes atendem a urgência de esvaziar o saco seminal, robôs competentes na conservação do lar, karma que os acompanha do nascimento à Santa Unção. Somente defuntos e enterrados encontrando paz. O reconhecimento dos méritos que aos finados sempre é devido, não podem os homens ter por certo - carpidos pelas viúvas doridas que, secretamente, não desculpam ao falecido o luto que lhes esmorece o tom da pele, ou desde a rigidez pós-mortem abonados com epítetos de Judas a Barrabás.
CAFÉ DA TARDE
Alguém tem a fineza de me explicar a febril subida do sitemeter a propósito do texto "Ela, Carolina"? Ressalvada a minha incoerência constitucional, existe alguma coisa que, a este propósito, eu deva saber? Dou alvíssaras.
Publicado por Teresa C. às dezembro 20, 2006 01:04 PM
Comentários
Procura de excertos ou outras revelações, sem ter de comprar e ler o livro?
Publicado por: L às dezembro 20, 2006 10:07 PM
Nem um pouco! Feliz Natal.
Publicado por: Tati às dezembro 24, 2006 04:15 PM