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dezembro 28, 2006

ELES ÁMEN

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Autor que não foi possível identificar

De Beauvoir e Sartre. Tecto nem sempre partilhado. Jamais como hábito ou modo ideal de viver um amor. Amor insolente o deles... Liberto da gaiola que soe unir – aprisionar? - quem conjuga a dois o verbo amar. Não chegando ao desaforo do “Eu amanda, Tu desamas, Ela amadora, Nós amamo-nos, Vós amargais, Eles ámen.” Ou talvez sim, que portas adentro e fora somente cada um sabe o que lá vai.

Jean-Paul Sartre e Simone De Beauvoir mantiveram um relação sólida e cúmplice por 50 anos. Construíram as vidas sobre as alegrias e os horrores da incerteza. Sem gaiola, mantiveram uma relação aberta a fugas amorosas com terceiros. Harmonia fecunda que conciliou liberdade individual e vida conjunta. “Não foi uma história de escândalos, mas do escândalo de uma excepcional busca pela felicidade”, li por aí.

Os mortais raramente configuram elos fora do uso comum. Posto o problema “na tua casa ou na minha?”, não passará da meia dúzia de vezes até ela, em casa dele, sugerir mudanças que ele não pediu, alinhar jornais, limpar o pó, mudar os turcos e ganhar alforria. Ele titubeia entre o “caraças, não é que são todas iguais?, estendemos um dedo e tomam-nos a perna!”, e o hábil “vem docinha, senta-te junto a mim” de quem desespera por levar adiante o programa: testar a resistência do sofá, da mesa, da banca da cozinha ou do lavatório. Ela, que esperava lençóis cheirosos e esticados, secretamente murmura – “Ai... ai, vamos lá ver se a competência ultrapassa o desarrumo! Apura-te, sim... mais..., ui... foi demais!, não pares!, continua!, ui... mais suave marmotinha, aiii... , humm... , estás óptimo! (pelo menos desse lado tapas o pavor de candeeiro)”

Publicado por Teresa C. às dezembro 28, 2006 09:57 AM

Comentários

:-D

Publicado por: troblogdita às dezembro 28, 2006 03:00 PM

Também por isto te adoro. O teu sorriso malicioso vale ouro. Beijinho sempre amigo.

Publicado por: Tati às dezembro 30, 2006 10:53 PM

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