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dezembro 04, 2006

GRISCHA PARA OS AMIGOS

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Autor que não foi possível identificar

Vladimir Putin. À primeira vista parece um pão sem sal. Desenganem-se os incautos - foi director da KGB para os assuntos externos, é presidente da Rússia de conhecida tradição em venenos. Putin não é menino de coro, mas dos cianetos de antanho surpreende a inocente e directa troca por polónio 210. É uma questão de rasto, porque a morte dos desgraçados que o ingerem à mesma sobrevem. Lenta e espalhafatosa pelo isótopo do elemento 84 da Tabela de Mendeleiev, rápida e discreta pelos sais de cianeto.

Rasputin, Gricha para os amigos, desmentiu a eficácia do então designado cianureto de potássio, engolido entre doces e vinho da Madeira. Não admira: habituara-se à existência em vinha d’alho e, possuindo genitália de 28,5cm, excessos para os outros eram norma para ele. Bebia, comia e fodia com alarvice. Desde camponesas a monjas, passando pela czarina e damas da corte, nada o satisfazia. Juntava à gula e lascívia dons sedutores, malvados, visionários, milagreiros e divinatórios. Mesmo depois de ter sido envenenado com cianeto, alvejado no pescoço e em vários lugares do corpo, Rasputin foi enterrado vivo. Só o frio o mataria. O fim de Rasputin - em russo significa depravado - ajudou à queda do Império Romanov a par da primeira guerra mundial e da opressiva miséria do povo.

Ainda hoje, os russos a cada ceia chamam a última. Eles lá sabem. O presidente ucraniano por pouco não devolveu a alma ao criador por indigesto veneno. A jornalista Anna Politkovskaya marchou deste mundo para outro que espero melhor. Ao ex-espião russo Alexander Litvinenko coube-lhe num sushi pitada de polónio radioactivo e foi o que se viu. O misterioso Scaramella padece do mesmo. Elemento inocente que deve a Marie Curie o nome como homenagem à Polónia natal, tem variedade emissora de partículas alfa – núcleos de hélio, de entre os gases inertes o menor. Por via destes núcleos, o trajecto da substância é mais preciso que o registado por GPS. Afadigam-se agentes secretos, polícias e diplomatas. Nisto, como em quase tudo, a tradição já não é o que era. Cianeto, deixemo-nos de modernices, é melhor.

Publicado por Teresa C. às dezembro 4, 2006 10:19 AM

Comentários

Que bem que se escreve e se pensa e...que fascínio este humor inteligente.
Este blog evia ser de leitura recomendada (porque eu não gosto de obrigatoriedade!),uma vez por dia,tal como a maçã(dizem...)para preservar(a uns mais que outros,como em tudo,pois...já se vê!) a higiene mental...é que...sorri,anda tudo tão murchinho....!
Parabéns.
Um abraço.

Publicado por: concha às dezembro 4, 2006 09:28 PM

Bonito, sim senhor. Parabens.

Publicado por: Pong às dezembro 4, 2006 10:40 PM

Agradeço manifestarem a vossa opinião. Delas recolhi o mimo.

Publicado por: Tati às dezembro 12, 2006 03:32 PM

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