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dezembro 27, 2006
LINGUAJAR
MÃOS

Lynn Randolph
Mãos como rostos. Como espelho de vidas amassadas na masseira do tempo. Infatigáveis, por isso rugosas e calejadas. Macias. Leves, sugerindo serenidade. E vida fácil, que a dureza ou o tempo carimbam registos.
A linguagem dos gestos tem código conhecido. Cada um engendra os próprios acrescentos a este modo de comunicar. Há os que desenham no ar movimentos acompanhando a fala. Os económicos na atitude, pela postura discreta, não são fáceis de descodificar. Nestes, as mãos jazem passivas sem vontade de linguajar.
Das mãos aprecio a forma. A textura da pele. O que me contam. A força que inspiram e são capazes de dar. O calor que esvoaçam. Preciso de tocar as do corpo amigo, de nelas deslizar as minhas até a ternura transbordar.
As mãos manchadas pelos anos e engelhadas pela laboriosa feitura da dádiva, são, pela obra implícita, as que me comovem mais.
Publicado por Teresa C. às dezembro 27, 2006 02:16 PM
Comentários
Olá tati!
Esta regularidade de uma escrita de forma,cor e aroma envolventes faz deste um dos meus sítios de gostar.
As mãos!...Eu prendo os meus olhos nas mãos de quem vejo quase instintivamente...gosto do que me contam e acho que tocamos como somos,sorri,achei sempre fascinante este segmento do ser fazendo...
Como nem sempre comento talvez seja tempo de desejar um excelente ano de 2007 e... todos os outros que se lhe seguirão!
Parabéns pela escrita e pela capacidade de se manter num nível de excelência pensando e desenhando com letras.
um abraço
Publicado por: M às dezembro 27, 2006 03:02 PM
Caríssima M: sabe que corre o risco de me convencer pela emotividade em que embrulha as palavras? Não me vai querer uma galinha emproada, pois não? Beijinho grato e excelente 2007
Publicado por: Tati às dezembro 30, 2006 10:42 PM