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dezembro 15, 2006

SOFRER DE MULTIDÃO

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Armando Huerta

Neste mundo cheio de gente, há quem sofra de solidão. Eu, coitada, sofro de multidão. E fujo, recolho-me em casa, em lugares insuspeitos, desligo o mundo e centro-me na mansa alegria do silêncio. Na distribuição de qualidades e privilégios não foi ideal a minha posição na fila divina; devo, como soe acontecer, ter sido pontual, todavia distraída com a lonjura do horizonte e as fofas nuvens. Somente quando o assalto às divinas benesses serenara, me devo ter postado na cauda da bicha.

Dos meus defeitos o menor não é a contradição. As pessoas e o desafio do seu entendimento atraem-me como mel a bicho guloso. Trabalho rodeada de mui e variegada gente. Observo, intuo, desminto o intuído, recomeço, identifico beleza no todo, aqui ou ali. Na rua, desconhecidos abeiram-se indagando o precisado, com ar de quem tomará por certo o que disser. Presumo ter ar fiável – tinha-o por amável -, o que muito me pesa por que, engano cruel, tão aérea e apressada julgo ser.

Se a fundo mergulhando nas gentes em montões, falta-me escafandro com tubo erguido que receba ar isento de cacofonia. O excesso de pés por metro quadrado anula a distância mínima para percepcionar o outro. Como se o ar recuasse perante os roldões de loiras, em tudo iguais, até no silicone dos lábios. Suponho até que os beiços inchados engolem a minha parte do ar.

CAFÉ DA TARDE

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Nada me ocorrendo contra – por princípio desconfio das rejeições imediatas ao que é inovador -, decidi levar em conta opiniões dos mais sabedores contra a designada TLEBS. Deixo o registo. simbólico.

Publicado por Teresa C. às dezembro 15, 2006 03:40 PM

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