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janeiro 23, 2007
A DAR-A-DAR

Rob Gonsalves
Cheirava a sardinhas. Pela uma da tarde, na parte nobre do coração da cidade, a assadura dos peixes era certa. Normalidade sem merecer reparo, não fosse o caso de mear Janeiro, estar o dia inadequado para actividades de ar livre e magras as sardinhas. Ora, dada a conjuntura, reneguei o cheiro com o ar de quem lhe foi servido uma capilé morno ou forçaram a usar chapéu de palha. Não dava a bota com a perdigota, e a estas coisas também sou sensível.
Sardinhada, bacalhau com grelos ou couve tronchuda, bem como o cozido à portuguesa são gostos que partilho. Como os cafés antigos propícios à fantasia de tertúlias de outras eras e de hoje. Como o empedrado manhoso que nas urbes subsiste. Como as ruelas estreitas que por entre curvas apertadas espreitam o rio. Como o granito do Norte e a brancura Algarvia.
Que o meu pé puxa à chinela, não duvidava; mais para os tamancos que nunca usei nem vi usar e me fascinam. Sentir o pé dar-a-dar é liberdade que prezo. Aliás, de sentir o corpo despojado não prescindo. Mas, lá está, melhor no Verão do que agora. Os cafés de antanho, esses, ao menos, são prazer legítimo em qualquer estação. O Martinho da Arcada, o Majestic no Porto, o Santa Cruz em Coimbra, o café Vianna em Braga. Mais haverá que na memória não retive. Certo é serem os cafés, bibliotecas e as livrarias delatores da vida e história de uma cidade. A bem dizer, pela constância, são o oposto do cheiro a assadura de sardinhas.
Publicado por Teresa C. às janeiro 23, 2007 09:20 AM
Comentários
está de volta o vinil, quem sabe volte também o hábito de sair dos centros comerciais e reclamar os cafés como local de conversas e lazer...
Publicado por: MEC às janeiro 23, 2007 02:25 PM
Obrigada pela sua visita e comentário.
Publicado por: Tati às janeiro 28, 2007 10:31 AM