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janeiro 29, 2007
AGORA, EU SEI

Xavier Lorette
Sugestão: clique ali ao lado e ouça a voz inesquecível do Jean Gabin.
Quando era gaiata, com a altura de dúzia e meia de maçãs, falava convicta, para me terem por crescida. Dizia: “Eu sei. Eu sei. Eu sei. Eu sei.” Era o começo. Era, da Primavera, a iniciação. Chegada aos dezoito anos, disse: “Eu sei. Desta vez é a sério. Eu sei.” E hoje, para onde me volto, olho a terra onde me situo e continuo sem conhecer o mecanismo interior que a faz rodar.
Por volta dos vinte e cinco anos, julgava saber tudo: o amor, as rosas, a vida, os suportes. E sim, o amor. Dele fiz todo o circuito. Felizmente, como os amigos da mesma idade, ainda não tinha comido todo o pão que me estava destinado. Meia vida depois, aprendi coisa simples que poucas palavras descrevem: “O dia em que alguém nos ama é o mais bonito da semana, do mês, do ano. Não o posso dizer de outro modo – é o mais belo. No começo da segunda metade da vida é ainda o que me surpreende. Esquecidas foram as noites magoadas e tristes, jamais uma manhã de ternura.
Toda a vida quis dizer “Eu sei!” Simplesmente. Sem qualquer acrescento. Todavia, quanto mais o conhecimento procurava, menos sabia. Soaram, entretanto, muitas badaladas do relógio. Continuo à janela, olho e interrogo-me. Finalmente, eu sei. Eu sei que nunca soube nada. A vida, o amor, o dinheiro, os amigos, as rosas podem sê-lo ou não. Nunca é certo um ruído, o silêncio ou a cor das coisas. Isto é tudo o que sei. Mas isto, isto sim, eu sei!
“Quand j'étais gosse, haut comme trois pommes,
J'parlais bien fort pour être un homme
J'disais, JE SAIS, JE SAIS, JE SAIS, JE SAIS
C'était l'début, c'était l'printemps
Mais quand j'ai eu mes 18 ans
J'ai dit, JE SAIS, ça y est, cette fois JE SAIS
Et aujourd'hui, les jours où je m'retourne
J'regarde la terre où j'ai quand même fait les 100 pas
Et je n'sais toujours pas comment elle tourne!
Vers 25 ans, j'savais tout : l'amour, les roses, la vie, les sous
Tiens oui l'amour ! J'en avais fait tout le tour!
Et heureusement, comme les copains, j'avais pas mangé tout mon pain :
Au milieu de ma vie, j'ai encore appris.
C'que j'ai appris, ça tient en trois, quatre mots:
"Le jour où quelqu'un vous aime, il fait très beau,
j'peux pas mieux dire, il fait très beau!
C'est encore ce qui m'étonne dans la vie,
Moi qui suis à l'automne de ma vie
On oublie tant de soirs de tristesse
Mais jamais un matin de tendresse!
Toute ma jeunesse, j'ai voulu dire JE SAIS
Seulement, plus je cherchais, et puis moins j' savais
Il y a 60 coups qui ont sonné à l'horloge
Je suis encore à ma fenêtre, je regarde, et j'm'interroge?
Maintenant JE SAIS, JE SAIS QU'ON NE SAIT JAMAIS”!
La vie, l'amour, l'argent, les amis et les roses
On ne sait jamais le bruit ni la couleur des choses
C'est tout c'que j'sais ! Mais ça, j'le SAIS...!
Publicado por Teresa C. às janeiro 29, 2007 10:04 AM
Comentários
Hoje vale a pena quebrar o silêncio com que diariamente a admiro.
Hoje, trata-se do enorme Jean Gabin!
E trata-se também de si! Das recordações amargas e doces do tempo em que o Amor era Amor somente (isto é, todo o tempo...). Porquê? Porque me traz à tona da memória o dito de Cervantes : "Es siempre mejor el camino que la posada....
Aí está: no Amor é sempre melhor o antes que o depois (e às vezes até o durante!).
Gostei. Muito.
Publicado por: j às janeiro 29, 2007 10:28 AM
Sublime este blog: o "layout" simples, mas bem estruturado e forte nas mensagens iconográfica e gráfica!
Já várias vezes tinha visto o link na Cigana, mas...
Mas realmente o Sócrates tinha razão e já lá vão uns "bons anitos" ao afirmar: «Só sei que nada sei».
O saber parece não ser uma casa construída, antes se nos apresenta como uma teoria quântica multifacetada e nós, meros mortais, só vemos a faceta que, a determinado momento da nossa existência, conseguimos construir.
Mais à frente, armados de outros saberes vemos uma nova faceta na antiga.
É este o poder da teoria das cordas: nós existimos num espaço dez-simensional (Lol pelo neologismo), mas só nos apercebemos de um universo.
O mal da Eva foi outro: devia ter-nos empurrado a maçã do conhecimento pelas goelas abaixo, antes de Deus ter aparecido!
Publicado por: O Amante às janeiro 29, 2007 03:38 PM
Hoje não me limito a lê-la. Deixo aqui mais uma vez a minha admiração pela sua escrita. Sou parca de palavras mas plena de sentimentos e hoje tocou-me especialmente.
É tudo o que sei!
Uma boa semana para si
Publicado por: Gi às janeiro 29, 2007 06:45 PM
Tenho de arranjar mais coisas do Brell, mas se quiser enviar uma ou outra amostra (mp3) ah vou ouvir vou :)!
Publicado por: Sandro Franco às janeiro 31, 2007 02:11 PM
A que me ensinaram era: "quand j'étais gosse / j'étais pas un colosse / mais j'étais quand même le plus drôle / de toute l'école / (...) Y en aura toujours, qui n'ont pas le sens de l'humour / C'est comme les femmes / qui ont pas le sens de l'amour / Ça c'est un drame". É uma modinha pornographica.
Publicado por: pornographo às janeiro 31, 2007 07:24 PM
j - do amor gosto do antes, do durante e do depois. Memórias dolorosas? Não tenho. Varri-as. Partilhamos este gosto pelo Jean Gabin e o de expormos emoções fundas. Obrigada.
O Amante - a motivação decisiva que diariamente me acorda o sorriso é exactamente essa: ao pouco que sei acrescer um pouco, na certeza de me ser impossível no instante em que sinto, penso, experimento, tocar sequer o futuro.
Gi - Estou-lhe grata pela generosidade das suas palavras.
Sandro Franco - se mais arranjar irei lembrar-me de si. Que bom ter sido a música do seu agrado!
Pornographo - E que bela modinha e sabê-lo por aqui. ;)
Publicado por: Tati às fevereiro 1, 2007 06:01 PM
... cuidado com uns tantos por aí que acham que sabem tudo!
Publicado por: Júlio Ramires às fevereiro 19, 2009 01:38 PM