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janeiro 14, 2007
AMÁ-LA OU ODIÁ-LA

Autor que não foi possível identificar
"Índia: pode amá-la ou odiá-la, mas jamais permanecerá indiferente." É usual subestimamos os indianos instalados em Portugal; temo-los por vendedores de bugigangas e rosas murchas em cones de celofane. Muitos chegaram empurrados de Moçambique pela tempestuosa descolonização. Pobres, ou afortunados, foram arribando e assentaram arraiais num país que os via exóticos, manhosos, pela postura melíflua vendedores de banha-da-cobra.
Da Índia é sabida a lonjura, o gigantismo, a pobreza, o caos, os ícones turísticos, os filmes destilando mel, compota e caramelo. O desenvolvimento tecnológico e ascensão a empório comercial misturam-se com a miséria e os proventos multiplicados por milhões. Do secular domínio britânico ficaram, entre o mais, os comboios. Conhecer a diversidade social requer vagões e ferrovias - no interior são aprendidas as primeiras palavras em hindi para comunicar com os passageiros distribuídos por cinco classes. Os expressos Rajdhani, Shatabdi, ou o luxuoso Decann Odissey, permitem conhecer a essência daquela civilização milenar a anos-luz da visível na capital Delhi. É clássico visitar o Taj Mahal para o ver acordar - o mármore branco, incrustado com pedras semipreciosas, surge na bruma da manhã, tinge-se de cor-de-rosa e comove pela magia.
Nascer ali mulher, configura humilhações futuras - dote pago pelo pai da noiva ao homem que a leiloe, violações sem queixa, abortos provocados pelo temor de ser o embrião feminino, vírus HIV disseminado em aterradora escala. Por tudo não invejo a pragmática comitiva presidencial - seriam bem diferentes os horizontes que me despertariam.
Publicado por Teresa C. às janeiro 14, 2007 11:02 AM