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janeiro 09, 2007

DA TERRA, O QUEIXUME

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Hayao Miyazaki

Dois vultos abrigados sob a pérgula rente à água. Céu entaramelado de cinzas. Indeciso. Verdes sombrios temendo desafiar o Inverno. Alguns dos cedros-criança empalidecidos num esvaído torpor. Intactos os tufos de alfazema e de outros arbustos miúdos, alinhados em conchas invertidas na terra. Por isso, ou pela natureza, conservando a forma que os ventos aos salgueiros roubaram e às majestosas palmeiras despentearam. Folhas apodrecidas jaziam no chão, na relva parda e na calçada dos atalhos. Que não trilhava.

Sob os meus pés estalava o cascalho, a cada passo gemiam os seixos. Suavizei o andar – era insuportável sentir-lhes o queixume - e preferi o empedrado. Com vagar, quase como gato de pêlo calçado, aproximei-me das duas mulheres sentadas. Raça negra, rosto que os anos curtiram, grossos casacos, lenços na cabeça atados atrás de modo tribal. O dialecto da fala amorteceu-me a curiosidade. O que diriam naquele jeito íntimo que somente as mulheres possuem quando o falado monopoliza a atenção?

Com elas éramos três a buscar no parque o refúgio. Alarguei o olhar às fronteiras que alcançava – ninguém mais havia. Continuei. E remirei dos verdes as minudências. Da água escutei o correr. Os sons da cidade abafados pela distância. Cruzei-me numa vereda com as duas mulheres. Meias de lã, sapatos de casa, sobre as saias mantas largas atadas à cintura como soíam usar na África(?) que as vira nascer. Tão exóticas no ocidente padronizado como os pingos de violeta e encarnado desafinando nos ramos murchos. Ergui o queixo e ao alto o olhar. Sorri - a maravilha da diferença persiste em brotar.

CAFÉ DA MANHÃ

Agradeço a gentileza das ligações aos blogues:
- Entre o Sol e as Brumas
- Em Semicírculo
- Sortido Fino
- Ferro com Fogo é Faísca
- Sol Infinito

Publicado por Teresa C. às janeiro 9, 2007 07:15 AM

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