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janeiro 16, 2007
KUCHE, KIRCHE UND KINDER

Elvgren
É conhecida da doutrina nazi a teoria dos «três Ks» - à mulher pertenceria o governo da «Kuche, Kirche und Kinder» (cozinha, crença religiosa e crianças) -, razão suficiente para afastar a mulher das supremas decisões do Estado. O discurso do poder continua a ser um discurso no masculino. Como se o exercício do poder não fosse uma tarefa que a todos interpela e todos compromete, ao coincidir com a defesa da dignidade humana, concretizada no homem e na mulher. A poética de Aragon – “...a mulher é o futuro do homem” não é, ainda, paradigma.
Por muito tempo, na lei e nos livros da escola primária, a autoridade do pai surgia na função de angariador dos meios de subsistência, e a da mãe no governo do lar e na gestão dos afectos. Somente a alteração do Código Civil de 1977 pôs fim a normativo tão injusto. Aliás, o adultério masculino apenas era reconhecido se fosse «com escândalo público ou completo desamparo da mulher, ou com concubina teúda e manteúda no domicílio conjugal». O princípio do salário igual para trabalho igual só lei de 1969 consagrou, e o direito do marido abrir a correspondência da mulher terminou por decreto de Junho de 1976.
Confio ser este o século em que o tempo do poder e do direito é o tempo da pessoa. Hillary Clinton e Ségolène Royal poderão vir a ser Presidentes dos Estados Unidos e da França, respectivamente, a par de outras mulheres que na Alemanha e no Chile ocupam cargos semelhantes. Todo o tempo é tempo de (re)começar ou continuar a luta pelo direito à igualdade entre os humanos. “Se os mortos são os donos do destino dos vivos”, como disse Thomas Paine a propósito da eternização do sistema político britânico, rompamos com o passado e, na fragilidade e insignificância das nossas acções que, no conjunto, são a nossa força, sejamos partícipes da construção de uma herança de justiça e liberdade.
Publicado por Teresa C. às janeiro 16, 2007 01:32 PM
Comentários
Cara Tati:
Parece-me que aos direitos das mulheres que enuncia e que estão patentes na legislação, ter-se-ão que aliar alguns pormenores que, para grande parte dos portugueses, ainda estão ausentes. Refiro-me à mentalidade ainda pequena dos homens que consideram os mesmos direitos uma vaga teoria por preencher e ainda algumas mulheres que, comodamente, desempenham o papel de mães dos próprios maridos, esquecendo-se de que, acima de tudo são MULHERES. Julgo que terão de passar algumas gerações para que este "cantinho da europa" abra alas a uma mentalidade que precisa urgentemente de expansão!
Publicado por: Ela às janeiro 16, 2007 03:00 PM
Concordo plenamente com tudo o que disse a anterior comentadora. È preciso uma revolução de mentalidades e essa custa a vir.
Mas,Tati, guardei religiosamente este artigo nos meus documentos. Sei que ele traduz a realidade do nosso país, quiçá do mundo.
Bjs
A amiga Maria
Publicado por: MARIA às janeiro 16, 2007 05:54 PM
Acontece!
Calhou bater aqui... e a coisa é séria!
É VeneniAçúcar qb... para não dar DiaBetes!
Fica AdmiraÇão & EloGio
TiTa - TaTi
UiUa - UaUi
ViVa - VaVi
TUV - Toda Uma Vida
UVT - Uma Vez Talvez
VTU - Vale Tudo Utopia
Publicado por: ComPénis&cominveja às janeiro 17, 2007 03:10 AM
Life is a waste of time,
time is a waste of life,
so just get wasted all the time
and have the time of ur life!!!
Publicado por: VeraMente às janeiro 17, 2007 05:57 PM
Ela - concordo consigo, apenas levanto mais alta a bandeira da esperança na progressiva alteração do actual "status quo". E sim, é verdade, quantas de nós esquecemos o «ser» e obedecemos sem questionar o «parecer» de antanho.
Maria - muito obrigada pela distinção.
Comppénisecominveja - folgo que o texto lhe tenha agradado e o blogue também. Fico grata.
VeraMente - Sugestão que de tão "hot" arde. Sabe, ao espírito "voyeur" sobreponho o experimental. Vá por mim - é muitíssimo melhor e não queima.
Publicado por: Tati às janeiro 17, 2007 07:00 PM