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janeiro 24, 2007

O CABRITO DAS QUINTAS-FEIRAS

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Antohny Cristian

Dizem eles: “Aos vinte, cuidamos do cabelo, do visual da moda, abortamos borbulhas residuais. Com os trinta anos aprendemos a apreciar um bom vinho. Chegados os quarenta, uma refeição de excelência enche o palato e afirmamo-nos hedonistas. Nos cinquenta, vamos de propósito a Folgozinho comer o cabrito das quintas-feiras. Esta é a altura em que aos homens o sexo trepa à boca.”

Mal abrimos, pela primeira vez, os pulmões e, com gritos dolorosos, engolimos ar às golfadas, inaugurámos o envelhecimento. Das células, logo ali, umas reproduzem-se e doutras há mortandade. O ser humano cresce rumo à morte. Saudavelmente, racionamos pensamentos negros e vivemos o presente. De modo intenso, eu, que aprendi a expensas próprias fruir do momento que passa isento de sombras passadas ou futuras. Apenas sei da paixão fazer vida – pela família, pelo que faço, pelos amigos, pelas pessoas em geral, pelo planeta. Ainda assim, às ratoeiras de mágoas ociosas, dos amores idiotas não escapei. Vale a fortuna ter sobre mim capa longa – municiou-me de um interruptor afectivo que, perante o rebate do sino da sobrevivência exigente, desligo. Como deixar de fumar: parei como comecei, num ápice! O espírito fica lavado. Em paz. Pronto para outra. Sem renegar erros, por que com a asneira pessoal quem quer aprende. Eu quero. Aprendo.

Cuido que alguns homens lidam tão mal com o envelhecimento como é suposto acontecer nas mulheres. A barriga proeminente, os músculos amolecidos, a investida sexual mais espaçada e curta, os brancos que rondando os trinta nascem como coelhos enquanto os da cor de origem caem sem despedida, atemorizam. Eles, coitados, ainda nos primórdios dos nossos subtis disfarces, caem em si. Em que pensam se o emprego estiver garantido? Sexo! E dispersam o desejo numa peregrinação triste por capelas que visitam apenas por terem a porta aberta. A reza do ego erguido neles associada à ressurreição da carne. A nossa mais simples(?) e resumida à resposta afirmativa a uma pergunta – amo?

Publicado por Teresa C. às janeiro 24, 2007 06:27 AM

Comentários

Açucar...sem dúvida açucar... :)
Muito bom mesmo!!

Publicado por: The High Filosopher às janeiro 24, 2007 06:38 AM

Parabéns Tati. Texto fantástico. julgo que a interrogação séria àcerca do amor começa aos quarenta. E a quem se interroga surgem dúvidas. Aos que não as têm ficam as certezas dos que estão felizes ou apenas acomodados(as). Um beijo!

Publicado por: Ela às janeiro 24, 2007 08:33 AM

O texto, como sempre, uma delícia! O tema nunca deixa de ser actual porque todos nos preocupamos com o envelhecimento e diversas a formas de o assumir
Aprender com os erros é inquestionável. Só que por vezes na vida cometemos tantos erros que o que se pode por em causa é se, verdadeiramente, estamos interessados em aprender ou é uma manifestação de egoísmo, porque, pelo caminho pode ficar alguém sofrendo ...

cc2cc

Publicado por: cc2cc às janeiro 24, 2007 08:59 AM

Nem sempre o sinónimo de não gostar de envelhecer, nos homens, é o disparate e a asneira, a futelidade etc. Como dizia a mão de uma amiga minha os homens não têm idade adulta passam directamente de infantil a senil. eu se conseguir serei sempre infantil

Publicado por: asdrubaltudobem às janeiro 24, 2007 03:20 PM

Aos 20 elas querem um homem inteligente, charmoso, meigo e rico.
Aos 30 querem um homem inteligente, charmoso e meigo.
Aos 40 querem um homem inteligente e charmoso.
Aos 50 querem um homem inteligente.
Aos 60 querem um!

Publicado por: JG às janeiro 24, 2007 03:31 PM

Diria, caro JG, que a sua teoria se aplica a ELAS e a ELES!! Afinal, não temos necessidades tão diferentes como se pensa.

Publicado por: Ela às janeiro 24, 2007 05:59 PM

Os restantes comentadores que me desculpem, mas para Ela tenho recado - que a abençoem os deuses do Olimpo pela resposta ao caro JG. Pudesse eu abençoá-la se para tal tivesse mandato! É que, caro JG, não pode imaginar quem deseja uma carinha laroca e um corpo em forma em qualquer idade. Isto somente às primeiras, porque às última... Bom... "Vai lá vai!..."

Publicado por: Tati às janeiro 24, 2007 08:31 PM

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