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janeiro 26, 2007

O HOMEM NÃO CHORA

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Anthony Christian

“O homem não chora”, ouvimos ainda dizer. Em público, dele é esperado que contenha as emoções. Durante séculos, pelas ocupações que o afastavam do lar, não gozou a evolução dos filhos, não fruiu em plenitude da vida familiar nas miúdas tristezas e alegrias. Ao competirem-lhe o sustento da família, a luta pela pátria, além do seu governo, o adestramento da força física pelo desporto, orientou a sua mundividência criando a imagem da mulher subalterna, maternal e emotiva e a imagem do homem fisicamente superior, responsável e racional.

Durante tempo demais a mulher foi impedida de ser livre e inteira. Do mesmo modo, o homem foi impedido de conhecer uma parte de si mesmo. Elas e eles com a liberdade cerceada. António Damásio sublinhou a importância das emoções na identidade equilibrada da pessoa - homem e mulher. Desde tempos ancestrais que a sociedade foi injusta para a mulher – amputou-lhe a imagem e legou um estigma cultural que a minimiza -, e não foi mais justa para o homem. Este, enquanto detentor dos instrumentos de poder, auto-limitou-se. A história que subalternizou a mulher foi, afinal, a mesma que não glorificou o homem.

Publicado por Teresa C. às janeiro 26, 2007 07:22 AM

Comentários

Descobri o seu blog "por acaso". Gostei! Gosto! Texto magnifico e com o qual estou perfeitamente de acordo. Parabéns.

Publicado por: Isa às janeiro 26, 2007 10:48 AM

Tati
O seu texto é absolutamente verdadeiro. Acho, tristemente, que ainda há muitas mulheres que têm o gostinho da submissão por se saberem "protegidas" quando não se fazem SER em pleno. Acho também que há ainda homens que, para esconderem fragilidades, se mostram duros e sem lágrimas para que ninguém os aponte como frágeis.
Tenho pena de ter que reconhecer que ainda muita culpa está nas mulheres mães, essas sim, continuam a educar filhos de sexo diferente de modo diferente. Elas que se queixam dos maridos, "constroem" em casa futuros maridos iguais aos que elas mesmas têm e não gostam. Não entendo...

Publicado por: Ela às janeiro 26, 2007 01:16 PM

A Mulher, é um homem, que chora de vez em quando.

Publicado por: JG às janeiro 26, 2007 05:21 PM

Caro JG. Não diria isso. Mas entendo que o considere.

Publicado por: Ela às janeiro 26, 2007 06:11 PM

Olá Tati.

Desculpa esta quebra da conversa mas acho que devias visitar este blog...

http://bloguedonao.blogspot.com/

O facto de quase não haver comments é constrangedor, por isso deixei o meu, que possivelmente vai ser apagado.
Gostava de o partilhar convosco e convidá-los a darem uma opinião no referido blogue.
Obrigado e peço desculpa pela intromissão.


''O aborto não pode ser considerado um método contraceptivo.

Pode sim ser considerado como a ultima solução para um problema grave.
É grave quando uma bastante significativa parte da população Portuguesa ganha o ordenado mínimo nacional, é grave quando não existem creches em numero suficiente para poderem cuidar das crianças e quando as que há ficam muito acima das possibilidades do comum Português, é muito grave quando muitos Portugueses tem uma casa para pagar, ficando desta maneira com uma corda ao pescoço o resto da vida, endividando-se dia após dia com prazeres mundanos sem terem dinheiro para os pagar.
É gravíssimo que os manuais escolares estejam nas mãos de LOBBYS editoriais que inflacionam ano após ano o preço desses manuais.
Cada vez mais a educação é para quem tem dinheiro, a habitação é para quem pode, a alimentação divide-se entre quem vai ás Lojas ''Gourmet'' e quem vai aos Supermercados ''LIDL''.
O vestuário, fabricado no Vietname, India, China, Bangladesh, é glorificado nas lojas de marca a preços exorbitantes, mas é perseguido nas feiras como material de contrafacção.

Gravíssimo é tambem que os Mass Media idolatrizem a pobreza na personificação da Floribela e enalteçam o consumo nos Morangos com Açucar, embrutecem a juventude com imagens daquilo que não são, daquilo que não podem ser, porque não têm dinheiro.

Os preservativos rompem-se, a pílula é prejudicial à saúde da mulher, os azares acontecem, fica o laqueamento das trompas e a vasectomia que são soluções, soluções que se propõem aos que não têm dinheiro para terem 11 filhos.

Aqueles que podem ter 11 filhos em colégios privados, bem alimentados equilibrada e saudávelmente, com roupas de marca, brinquedos topo de gama, casas T4, T5, T9, T12, vivendas no Ribatejo, têm carros, criadas, cavalos, têm sobreiros...
têm empresas em que pagam aos empregados o ordenado mínimo e não pagam nada aos estagiários.

São esses senhores e esforçadas senhoras que dizem não ao aborto, pessoas de boa casa e bom brasão que zelam pela moral da vida, pela vida acima de tudo, apesar dos bairros degradados, das paredes fétidas, da pobreza escondida e envergonhada nos prédios, da subnutrição das crianças, da fome ao jantar.

O que resta

A abstinência sexual, recusar a habitação, a educação, valores consagrados na Constituição Portuguesa, agora e sempre, recusar o sexo, ao não ser que seja com cuidadinho, sem estocadas fortes, sem fervor e loucura no acto, porque isso meus senhores e minhas senhoras é para que pode e não para quem quer.

É para quando as filhas loirinhas dos ricos e bem posicionados na vida, engravidarem dos africanos que engataram na discoteca à noite.

Muita coca, muita loucura, festas e festas, depois?
Se houver Azar fazem-se umas férias em Espanha...
Porque a menina é para casar com o Doutor Bernardo que é de boas famílias, sangue azul e de futuro assegurado.

É grave, quando só se pode exprimir opiniões a coberto do anonimato, porque não é seguro mostrar a certos senhores aquilo que se pensa, porque vivemos numa ditadura do corporativismo, numa ditadura que todos os dias impede que se cumpra Portugal, este País não é desses senhores, nem nunca será, por muito dinheiro que tenham!

VIVA PORTUGAL!!! ''

Publicado por: Exterminador Impecável às janeiro 26, 2007 06:35 PM

Caros comentadores - Se me agrada saber que os textos têm leitores e não os deixam indiferentes, outra coisa me faz saltar de entusiasmo como garota pequena - uma boa picardia. Comentem, sim, deitem achas na fogueira, que, bem ou mal, lá me irei arranjar. Mas o gozo, essem, ninguém mo tira.

A todos obrigada.

Publicado por: Tati às janeiro 28, 2007 10:38 AM

Que tanto os homens foram privados de outras dimensões da vida, como as mulheres, isso é facto.Mas também TODA a gente era privada das coisas a que temos acesso hoje.A diferença entre mulheres e homens era apenas outra perspectiva dessas limitações.

Que se evolua, mas que não se evolua à força.E que não se tire conclusões precipitadas como a de não haver fundamento para as mulheres e os homens se diferenciarem nos papéis, a não ser pela repressão e organização social (isso faz pouco sentido) ou que com as novas liberdades e acessos da era moderna que ambos tenderiam para os mesmos interesses.
É claro que hà pontos em comum entre os sexos, mas também ha coisas que são só de "gajos" e outras de "gajas".
Que a mulher se revele e conquiste o seu espaço, baseada em si mesma e não em comparações com os homens, pois das ideias destes já estamos todos fartos de ouvir falar desde que a escrita foi inventada.

Publicado por: garibaldov às fevereiro 9, 2007 03:20 PM

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