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janeiro 05, 2007
O SEGUNDO SEXO

Bruno di Maio
“On ne naît pas femme, on le devient” (ninguém nasce mulher, torna-se mulher) escreveu Simone de Beauvoir na abertura da segunda do “O Segundo Sexo”. Não quis, ou esqueceu dizer, que ninguém nasce homem. Torna-se homem. Assim é, conquanto o poder e os privilégios sociais tenham deturpado a posição cultural do sexo masculino. A mulher, aparentemente limitada por convenções e dominação, fruiu de maior liberdade interior. Colocou-a ao próprio serviço, na educação dos filhos e na manipulação do homem por via do lar e da estruturação da família.
Indirectamente, tem vigorado um sistema matriarcal que as novas gerações, julgo, se aprestam a mudar. De pequeninas nos sabemos livres para expressar meiguices, amuos, ternura, amor e precisão de mimos. Crescemos isentas de dolorosos espartilhos na exposição das emoções. Aprendemos cedo o poder da beleza, da suavidade dos gestos, a dádiva no amor. Todas as parcelas somando o mesmo: sedução. Quando adultas, aprimoramos a feminilidade compatibilizada com os projectos pessoais. Incoerentemente limitadas nalgumas fatias residuais da vida social, libertas no íntimo e na comunidade. Não são de prata ambas as faces da lua. O lado negro existe e tem risco: a clonagem do que nos homens condenávamos pela ambição de destaque económico e do poder que daí decorre.
E quanto prazer confere sentirmos que é nossa, muito nossa, a liberdade duma intimidade desempoeirada, do uso do encanto sem jargões redutores, da felicidade maior – a entrega de um corpo que docemente se abre e acolhe o amor de um Homem que deseja, não qualquer, mas uma Mulher!...
Publicado por Teresa C. às janeiro 5, 2007 08:12 AM
Comentários
«e na manipulação do homem por via do lar e da estruturação da família.»
Por isto, e pelo mais que acrescenta, não percebo do que se queixam algumas [bastantes] mulheres. Desde adolescente que eu seu que o sexo verdadeiramente potente é o feminino. Como homem sei, que só existo enquanto as mulheres deixarem. Isto tornou-me ralativamente manhoso para poder sobreviver. Temos de aprender a dizer e a fazer o que as mulheres esperam de nós, deixámos de ter vida própria!
Mas a recompensa, às vezes, é muito boa!
Publicado por: Maia às janeiro 6, 2007 09:49 PM
Não se apouque na sua condição masculina. A verdade é simples: que faríamos nós sem o nosso natural complemento. Por isso adoro as gentes, sejam homens ou mulheres.
Publicado por: Tati às janeiro 8, 2007 02:20 PM
Esse desejo... é um verbo (comum a ambos, homem e mulher) crucial!
;)
Publicado por: Sandro Franco às janeiro 8, 2007 11:36 PM
Caro Sandro Franco - bem me parecia... ;)
Publicado por: Tati às janeiro 9, 2007 05:07 PM