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janeiro 12, 2007
QUECA HOMÉRICA

Sorayama
Ela passou ontem por aqui e comentou: “nada melhor para curar um amor platónico que uma queca Homérica.” Ora aqui está mais uma das muitas pérolas da sabedoria feminina. Daquelas que partilhamos quando certas de não rondarem ouvidos masculinos. Quem julga ser a curiosidade atavismo feminino, desengane-se – eles alongam as orelhas e o pescoço, inclinam a cabeça, dão um passo para o cochicho com a bendita (in)discrição que os caracteriza. Os homens são uns queridos, mas, perante a nossa argúcia, denunciam-se em menos de um suspiro. Mulher que é mulher simula indiferença, não censurem eles as esparrelas. Dia virá, em adequada conjuntura, para um breve sublinhado nosso os deixar como barcaça à deriva – por que artes do demo a gaja soube? E nós naquela de inocente que o Divino escolhe para visita. Deliciosas cenas que evitamos perder uma. Meus queridos, convençam-se: as vossas pueris manobras são tão simples para nós como saber para que lado abre uma torneira. E mais digo: acautelem-se, porque homem distraído do bem que julga seu, cedo ou tarde fica sem ele.
Uma queca homérica faz milagres. Não abundam como os pombos na rua. Nada disso. Requerem conjunção de inexcedível apetite e prato soberbo que implore: “come-me, come-me que para isso hoje sirvo!” É refeição para horas, longe da sandocha que, após dentada farta, empanturra. A meio, ainda o palato e as mãos e o resto que é sabido gritam de insatisfação. Repasto acabado, não se afasta a companhia - é quase certo haver lugar para mais umas dentadinhas. Chegado o sono que o papo-cheio suplica, foi-se Platão e ficou Homero. E não adianta argumentar com a hipótese do poeta épico ser lenda ao não lhe ser conhecida a terra onde largou os primeiros vagidos. Homero existiu e existe. Quem refeições à moda dele experimentou, não duvida.
Publicado por Teresa C. às janeiro 12, 2007 08:51 AM
Comentários
Refeições homérias de qualquer tipo. Como na poesia, um prato de comida ou uma cama preenchida serão, de facto, apanágio de mulheres de gosto exigente.
Publicado por: Ela às janeiro 12, 2007 09:52 AM
Soubera eu estas lições de senso comum sem ter de passar pela dura provação de as aprender a expensas próprias há muitos anos atrás. Enfim, às vezes os ceguinhos também precisam de quem lhes pegue pela mão, ou quem lhes dê um chuto no direcção certa :-))))))
Publicado por: Rui MCB às janeiro 12, 2007 10:49 AM
Queca Homérica, sabedoria antiga própria da astúcia e sabedoria feminina.
Quereria o chamado sexo forte( que cá para mim de forte não tem nada)entrar nestas artes e manhas apanágio apenas muito nosso, de Mulheres com M maisculo.
Votos de Bom fm de Semana.
MARIA
Publicado por: MARIA às janeiro 12, 2007 07:52 PM
A esta sabedoria antiga do sexo feminino não chamaria astúcia, antes alimento que o leite materno continha. Mas concordo caríssimo Rui, cedo conhecida e muitos dissabores se evitariam. Beijinho
Publicado por: Tati às janeiro 13, 2007 05:23 PM
Já depois de ter publicado um post brejeiro lá ma minha loja, reparei que a Tati, lá mais para baixo, fala em quecas pitagóricas, também. Agora, sim. É o caos final. Elucubrações geométricas em coisas tão lineares cmo uma queca, por muito homérica que seja, parece-me excessivo. Catetos? Hipotenusa? De catetos ainda me ocorre uma terra perto de Luanda. Já o palavrão hipotenusa… só me ocorre uma lamentável e neologística hopotusa o que, seguramente, é uma situação indesejável. Que nestas coisas de quecas tudo se quer hiper, nada de hipo. Hipo, só a tensão arterial depois dos quarenta, por causa dos enfartes… :)
Publicado por: espumante às janeiro 13, 2007 05:32 PM
Eu acho, embora isto possa soar um pouco ingénuo, tudo começa (a melhorar) quando nós (homens, eeu agora falo por mim) deixamos de tomar atitudes banais e repetidas vezes sem conta, fazer uma pergunta muito simples: O que é que nós queremos das, e com as, mulheres? (ui tanta coisa que passa pela cabeça tipo furacão) Tomarmos as atitudes como nossas, e temos obrigatóriamente de ser exigentes connosco para termos quem queremos por perto (bem de perto também). Ganhemos então alguma astúcia? É ver para crer. E cada um tem de sentir isso na pele. Senão abisa, adormece, passa-se a vida ao lado.
Tem uma boa semana Tati.
;)
Publicado por: Sandro Franco às janeiro 14, 2007 06:10 PM
Espumante - fui à sua loja e li com agrado a picardia que lançou. Tivesse eu disponibilidade e o meu caro não perderia pela demora... ;)
Sandro Franco - a espontaneidade dos seus comentários continua deliciosa. Sabe? Evite perder bem tão precioso e raro. Beijinho.
Publicado por: Tati às janeiro 16, 2007 06:28 PM