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janeiro 25, 2007

"RANHOSOS, CHORÕES E COMICHOSOS"

Keith Garv 2 copy.jpg

A publicidade é uma das artes da manipulação. Sedutora, puxa os cordelinhos do subconsciente de cada um, assim transformado em marioneta. Por mensagens subliminares vai directa ao que interessa – gerar associações mentais traduzidas, depois, numa necessidade. Servida por belos corpos, gestos depurados do ocioso que ao objectivo não interesse, serve-nos potenciais objectos de desejo. Daí a satisfazê-lo vai um passo. Nem trago à colação o machismo boçal enfeitado de glamour que vezes demais utiliza. Pior ainda o que daqui decorre – a concepção antiga dos papéis dos sexos está-de-pedra-e-cal e vende.

“Os ranhosos, chorões e comichosos têm os dias contados.” Fiquei arrepiada. Já a página volvera, e voltei atrás. Teria lido bem?, inquietei-me, não fosse a distracção a culpada. Mas não!, lá estava, verde escuro no claro. No formato A4, a frase ocupava o meio. Somente abaixo, no canto inferior direito, o verde escuro registava: Levrix. Para as três desgraças servir, era, pela certa, medicamento. Antihistaminico. Um Zyrtec de última geração, ou seria erro o investimento. Para quem aos químicos diz “não, obrigada!”, mais informo: sendo pingona a constipação, por tal fazendo de palhaço o nariz, uma pílula daquelas e a fonte seca. Adeus rolo de papel higiénico, já que lenços de papel só às resmas.

Voltando aos “ranhosos, chorões e comichosos”. Quantos deles, perante tamanha ignomínia, comprará a droga? Eu jamais o faria. Se o pingo crónico é triste, o lacrimejar constante incompatível com maquilhagem, e a coceira deselegante, configurem ver resumido naquela nojenta frase de página inteira o retrato! Vá-se lá entender o que passou pela cabeça do publicitário e do laboratório que aceitou a campanha. Fosse o veículo a televisão, entendia melhor – há, invariavelmente o ar sofrido do antes e o radioso do depois no cliché conhecido. Mas a seco? As palavras escritas numa letra manhosa? Assim, sem mais? Não me espanta que o desgraçado leitor que encapucha a descrição, da alergia tenha crise e, de imediato, caia na cama. Aí sim!, fica claro o tino de quem o anúncio engendrou.


CAFÉ DA MANHÃ

Tenho novas revelações sobre o caso Rute Monteiro. Muito se tem escrito sobre o caso e nem sempre de modo esclarecido. O que sei impede-me, para já, de responder. Aos amigos jornalistas que me têm contactado, apenas peço que compreendam a reserva com que comuniquei o que está em causa. Afinal também sou jornalista e sei o que é a deontologia. A seguir atentamente.

Publicado por Teresa C. às janeiro 25, 2007 08:48 AM

Comentários

O que não percebo é a relação entre o texto e a fotografia. Quanto ao resto, também me parece que com uma frase publicitária dessas dificilmente compraria o tal medicamento.
Parabéns pelo blogue - que acabei de descobrir.

Publicado por: Viajante às janeiro 25, 2007 07:43 PM

Aqueles coraçõesinhos... levaram-me á minha reserva de bombons com brandy

Publicado por: a.leitão às janeiro 26, 2007 12:29 AM

Viajante - então, meu caro, a «piequena» foi parar à cama tão gravosa foi a alergia... Volte sempre, que o espírito viajante adoro.

a.leitão - vê, vê, umas coisas docinhas fazem bem a tudo desde que na dose certa. :)

Publicado por: Tati às janeiro 28, 2007 10:34 AM

mt bom....... e ranhosos a valer.....

vamos fazer ranhosada??????????


Publicado por: ranhosos às setembro 6, 2007 02:10 AM

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