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janeiro 17, 2007
TENROS INFANTES

Jan Bollaert
Arengar ao arrepio de vozes respeitavelmente sabedoras, é incómodo. Sendo o tema de somenos, nem os ombros encolho. Não é o caso, e, vai daí, boto acha na fogueira onde arda a divergência. Desculpar-me com a herança da mãe natura seria fácil, por andar longe do estereótipo da «piquena» que engole e cala; opiniões, quero dizer, porque engolir e calar é coisa demasiado íntima e prazenteira para alardear por aqui. Antes que me emperre o sistema de biela-e-manivela racional com tão vívidas lembranças, mude de assunto e acabe o texto ilustrado por mais uma menina nua, volto aos incómodos arrepios.
A figura do Professor-Tutor, ou generalista, que, por ora, o Governo defende para o segundo ciclo, tem a minha simpatia. Faz tempo demais que condeno a passagem dos tenros infantes das mãos de um único professor no primeiro ciclo para dez, é verdade!, dez professores. Coisa extraordinária, por ser evidente que os conhecimentos a transmitir no 5º e 6º anos de escolaridade são gerais e de iniciação no que às Ciências concerne. Não faz o menor sentido um professor de Matemática deixar a cargo de outrem Ciências da Natureza, um de Língua Portuguesa alheado da Língua Estrangeira, ou um de História que a leccionar Geografia resista. As competências já existem. Sejam aperfeiçoadas as estratégias pedagógicas para a maior abrangência dos conteúdos a leccionar, e a criançada não terá de rodar entre dez desorganizadas vontades e caras e métodos e manias. Vantagem acrescida é os docentes-tutores conhecerem melhor as necessidades individuais dos alunos.
À estimada Leonor Barros diria provado que a dezena de professores por ano e aluno não foi eficaz – a ignorância dos adolescentes ao iniciarem o Secundário atesta-o. Argumenta no “Olha que Lindo!” que as crianças chegadas ao 2º ciclo são tábuas rasas nos saberes mínimos. Aceito. E nos dois ciclos seguintes, o que foi feito para inverter a calamidade? Se dez nada remedeiam, não será altura de aplicar novas e sensatas estratégias?
CAFÉ DA MANHÃ
Ao mui estimado Edgar envio os merecidos parabéns pelo excelente The Sock Gap que hoje perfaz um ano. A imagem seguinte é o meu presente.

Peter Driben
Publicado por Teresa C. às janeiro 17, 2007 06:47 AM
Comentários
Cara Tati,
Não discordo que as áreas sejam agrupadas para o segundo ciclo de acordo com a formação dos professores, mas não mais do que duas disciplinas. Já tive a mesma turma a Inglês e a Alemão, no Secundário, e foi muito gratificante, tanto para mim como para os alunos. Discordo em absoluto que seja apenas um professor a leccionar todas as disciplinas, tal como o Governo noticiou. Não é possível que alguém seja tão competente em tudo, até porque a qualidade dos recém-licenciados deixa, por vezes, a desejar e muito... Continuo a achar que áreas como Estudo Acompanhado, Área de Projecto ou as oficinas deviam desaparecer dos currícula do Básico, particularmente nos moldes actuais. Não só não tenho dúvidas, como acho absolutamente imprescindível e imperioso que algo mude, se é desta forma, já não sei. Quanto ao que tem sido feito no Secundário, não tenho dúvidas de que algo é feito, de facto. Porém, se os alunos viessem mais bem preparados, não precisaríamos de usar algum do tempo disponível a ensinar regras de comportamento básicas e vocabulário elementar e mais poderia ser feito, se as turmas tivessem menos alunos, os pais cooperassem na educação e formação global dos seus filhos e os professores uma melhor e mais aprofundada formação.
Beijinhos e obrigada pela atenção
Leonor
PS: tábuas rasas não são palavras minhas e referia-me a quando saem do Ensino Básico para o Ensino Secundário.
Publicado por: Leonor Barros às janeiro 17, 2007 05:25 PM
Caríssima Leonor,
Os seus argumentos são poderosos e merecem ponderação. A minha discordância parte de um ponto em que damos diferentes versões do que ouvimos e lemos - um único professor, ou um professor-tutor assessorado por três ou quatro professores para áreas especializadas.
A realidade prova que as ESE têm formado docentes para o ensino básicos especializando-lhes os saberes. A Escola João de Deus é a excepção que deveria fazer regra - nenhum professor dali sai licenciado se não der provas de aproveitamento a Português e a Matemática até ao final dos estudos. Nas ESE oficiais o que se passa é diferente, ao especializarem os futuros professores obrigatoriamente generalistas em Português, Matemática, Música, Educação Física e por aí adiante.
Numa escola básica de Lisboa está colocada uma recém licenciada orientada para o Desporto, das outras matérias sabendo pouco e das respectivas estratégias de ensino, ainda menos. Como este exemplo mais conheço. Perpetuar o actual estado de coisas não pode continuar. Não é, na minha modesta opinião, a proposta governamental que está errada, mas sim a formação dos docentes. Digo eu, respeitando, todavia, o seu raciocínio.
Peço desculpa por ter usado o enfeite da tábua rasa. Muito obrigada pela sua contribuição.
Beijinho.
Publicado por: Tati às janeiro 17, 2007 06:48 PM
Cara Tati,
E diz muitíssimo bem! A formação de professores devia ser uma área de absoluta prioridade deste Governo também. Infelizmente a formação reduz-se às Tecnologias de Informação, como se, de repente, fossem a panaceia para os males do Ensino. Preocupante é que com o novo Estatuto, os professores só poderão fazer formação em pós-laboral, logo, congressos, seminários e/ou outras acções formativas ser-nos-ão vedadas. Lamentável. O estado geral do Ensino é preocupante e o que se passa no Básico assustador. Os actuais alunos não são menos dotados do que os anteriores, não é admíssivel que não saibam ler e escrever fluentemente logo nos primeiros anos, portanto, assim como não é aceitável que, caso um aluno não tenha atingido o nível satisfatório, continue a transitar de ano no Básico. Há pouco estive em contacto com uma recém-formada de uma ESE que afirmou não saber ensinar os alunos a ler. Arrepiante.
Obrigada pela troca de opiniões tão saudável.
Beijinho
Publicado por: Leonor Barros às janeiro 17, 2007 07:11 PM
Obrigado pelo presente. Se me permite, vou roubar a imagem para classificá-la foto oficial 2007.
Publicado por: Edgar às janeiro 18, 2007 12:00 AM
Não foi um presente meu? É sua, caro Edgar. Beijinho
Publicado por: Tati às janeiro 18, 2007 08:23 AM