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fevereiro 11, 2007

JÁ P’RA CASA!

Elsie Russell the three graces.jpg
Elsie Russel

A médio prazo, dia chegará em que da pior das maneiras os nossos homens – uns queridos pela presença e omissão! – despertarão para horror tido por remoto. As conversas julgadas da treta, que dizem ocupar-nos intervalos das novelas e ócios frívolos, surgirão à luz do dia como insidiosa revolta e tomada do poder. Conjuradas somos há muito. As mulheres europeias, declaram como prioridade a família e a idêntica partição das tarefas e responsabilidades familiares com os companheiros. Partição de facto, não a aviltante «ajuda» que eles, indulgentes, têm por modelar comportamento masculino entre domésticas paredes.

Aos XY penderá o queixo pela perplexidade, e tardarão a fechar a boca pasmada. Arriscarão: “Nós que as ajudávamos quando solicitados, carregávamos as malas nos aeroportos, abríamos vinhos e frascos de compota, eram connosco as avarias dos artefactos, chegando até, oh terrível engano!, a ceder a vez rumo à salvação em caso de catástrofe, tudo dando por incluído no pacote chamado Homem, somos miseravelmente destronados? O que nos resta? Copuladores de serviço? Funcionários subalternos? Duras negociações, ou não fossem elas implacáveis? O clássico rolo da massa substituído por amesquinhamento continuado? Que será de nós quando for cor-de-rosa a Casa Branca?”

E, os mais débeis, coitaditos!, temerão ver o Big Ben rebaptizado de Big Betty, o descalabro de dois novos feriados por ano – os dias da apresentação mundial das colecções de moda Primavera-Verão e Outono-Inverno – e aprovada a lei do “Já p’ra casa!” proibindo um copo depois do trabalho. Aquietem-se as mentes masculinas. Não desejamos o poder absoluto ou a tirania ou a subjugação ou o assédio sexual ou a exploração doméstica ou preterir os homens em favor das mulheres para cargos de chefia. Disto sabemos de cor os danos e fartámo-nos. Um mundo justo e solidário é a meta. Eles e elas respeitando amável e sã igualdade.

Nota – texto (des)inspirado num e-mail amigo.

Publicado por Teresa C. às fevereiro 11, 2007 03:00 AM

Comentários

Cardeal Cerejeira + Salazar ganharam o referendo!

(33 anos após o 25 de Abril)

Publicado por: vmcs às fevereiro 11, 2007 07:06 PM

amável e sã igualdade?

cheira-me a esturro... querem perpetuar o mando, ou mandar ainda mais, é o que é, mas precisam destes números vitoriosos, safadas!

e o estratagema de ir repetindo que só querem um tipo para abrir frascos é de bradar, haja honestidade intelectual ou, ao menos, procedimentos (rituais?) de sedução um bocadinho mais condescendentes com a salutar ambição masculina de pretender-se benvindos, por uma vez, pô

ah! e respeitados na justa labuta que é a arte da galanteria

afinal, abrir uma porta ou ceder o lugar pode ser rara gratificação - também no-la querem tirar ?

a meta, pode e deve ser agradável e sã, mas tem que ser a conquista!

;->

Publicado por: donrodrigo às fevereiro 12, 2007 01:49 AM

Vmcs - Acalme-se, meu caro, que a coisa não é má como a pinta. :)

DonRodrigo - adorei o seu comentário! Esteve brilhante nas dúvidas e ironia. Volte mais vezes. Será um prazer.

Publicado por: Tati às fevereiro 12, 2007 11:10 AM

Esta pôs-me a pensar…
Fiquei de um modo que não sei bem se estava a ler uma história de ficção, ou a ver um reflexo num espelho!

Publicado por: António às fevereiro 14, 2007 04:04 PM

António - Ora, não creio! Vá lá, desbronque: é mesmo o reflexo no espelho. ;)

Publicado por: Tati às fevereiro 15, 2007 10:37 PM

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