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fevereiro 26, 2007

NA DOBRA DO SEIO

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Autor que não foi possível identificar

Da sociedade actual é dito ser de consumo. Avaliado o prazo de validade, o produto sai da prateleira para o carrinho. Avantajado na capacidade. Nele cabe sempre mais um – alimento, afecto, congelado de promessas recheadas de suculentos sabores. E o cartão paga, mesmo se o dono come do casco. Com as gentes o mesmo - validade curta, esticadas, enceradas, luminosas por via de aditivos adequados para que delas emane apetite imediato.

Recuso-me artifícios enxertados, aspirados, injectados ou cortados. Aceito no rosto leve paleta de cores. Os registos da vida preservo como louvor ao tempo em que fui e sou. Sem lamentos pelo passado ou piedade pelo presente. Enquanto erguida e sem vacilar, enfiar a meia de liga rendada que a coxa prende, o fio estreito não vincar a anca, calçar as botas de salto sem auxílio de encosto ou assento, o lápis não retiver na dobra do seio, e o pescoço não deturpar a ossatura do rosto, sou eu. Leque de finas rugas aberto no canto do olho que ri? Tanto melhor! É testemunho de milhões de instantes felizes.

Recear a nudez não me descreve. Temer o rosto lavado – “como suportas a minha cara de mete-nojo?” - é coquetterie a que cedo. A pele respira e agradece estar liberta para a doce intimidade. Fractura social e privado. Fim das normas, começo da (a)venturosa simplicidade – a espontaneidade como lei, o erotismo da verdade. E em que êxtases a verdade culmina quando sussurrada como fantasia!... A mentira da verdade, a verdade da mentira. O fio da navalha. A dúvida como brasa.

Publicado por Teresa C. às fevereiro 26, 2007 09:04 AM

Comentários

Não há dúvida.
Não há que haver, à luz desta conversa animada.
Mas!
e as harmonias?
Esqueceu-se delas, neste desfi(l)ar de mnina vivida?

Publicado por: -pirata-vermelho- às março 1, 2007 02:22 PM

Gostei. Do texto e do desenho.

CSD

Publicado por: CSD às março 1, 2007 05:57 PM

Espectacular

Bom fim de semana

cpts

Rebecca

Publicado por: Rebeca às março 2, 2007 06:59 PM

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