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fevereiro 24, 2007
NUM DIA ASSIM

Mark Keller
Desapareceu a voz, a insubmissão e a sensibilidade. Há vinte anos, num dia assim. Húmido, anónimo até aí. A data ficaria gravada com tinta de esperança e mágoa. Cantar a consciência colectiva e dela fazer poema como arma, rareia nas gerações. Afrontar dos portugueses os receios e a cobardia, o limitado horizonte e os silêncios. Devolver honra e sentido à bolha de fé num futuro diferente.
Dos medos humanos, a solidão é o medo dos medos. No entanto, pessoas há que se escondem e outros que desafiam, triunfalmente, a solidão individual e de um povo. As distâncias cavam-se em ressentimentos e silêncios. Alguns reclamam que Deus faça aquilo que parece gigantesco à dimensão dos caprichos humanos – que afaste de vez o que nos assusta e garanta a felicidade. Porque Deus não está de passagem como nós, porque não se distrai com as comédias de enganos pelas quais pretendemos sossegar os nossos medos.
Pela pena e voz de Zeca Afonso, as grades espessas através das quais um povo via o quotidiano e o mundo amoleceram. O calor que transmitiu à alma portuguesa foi chama teimosa. E a força colectiva aumentou. O aço das grades foi minguando até mais não ser do que arame enferrujado caído ao chão. Ficou a memória e a voz, desaparecido o Homem. Num dia assim.
Publicado por Teresa C. às fevereiro 24, 2007 11:47 AM
Comentários
Só tenho um album dele. Ao Vivo no Coliseu de Lisboa em 1983.
O Zeca foi um poeta verdadeiramente de rua, ou seja, arregaçou as mangas e escreveu a punho e suor o que desbravou do nosso Portugal, das gentes, mas também de uma inteligência e perspicácia como poucos. Está mais que na altura de conhecer a obra e não só o lado interventivo e "comunista" como muitos teimam em qualificar. A Obra Completa é necessário editar, e esbravar da mesma forma que ele, a muito custo pessoal, escolheu.. na rua!
Publicado por: Sandro Franco às fevereiro 24, 2007 06:34 PM
São tristes estes dias, querida Amiga.
Recordo o Zeca da minha/quase nossa juventude e o que ele representou desde sempre para a gente da minha geração. Insubmisso. Homem de uma só fé e de uma só Palavra. A Voz que penetrava nas catacumbas do medo. A música que feria os ouvidos "sensíveis" dos degenerados criminosos.
São muito tristes estes dias, nas minha recordações.
Publicado por: j às fevereiro 24, 2007 08:52 PM
Agora para rematar, como diz uma música dos Sétima Legião (atenção que vão aparecer em força no meu jornal em breve): A Glória será não esquecer...
;)*
Bom fim de semanaaaaaaaaaa.
:)
Publicado por: Sandro Franco às fevereiro 24, 2007 09:19 PM
Foi bom sentir-me entendida na nostalgia de um tempo passado e presente.
Publicado por: Tati às março 4, 2007 07:01 PM