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fevereiro 25, 2007

OLHA AQUI O CASALINHO!

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H. Sorayama

“Ó João, olha aqui o «casalinho»!...” E destinou-lhes a mesa mais apetecível. Nem ousou o incómodo de retirar talheres e pratos em demasia – já não os havia. A postura amante e iludida, de quem começa e acaba no outro o dia, isentava de dúvida o apertado laço que os unia. Quem o pudor desdizia, pelo olhar e sorriso e jovialidade, não carecia de entendedor subtil. Tudo exibido por via da proximidade dos corpos e pelo entrançado das mãos. Pelo olhar luzidio. Pelo fluido enamoramento que a olhares alheios parecia. Mas não era. Entendimento fundo de amantes que o amor (re)descobriram, sim. Descoberta do indizível, também. Fosse o que fosse, pertencia-lhes. Não amiudavam toques como soe em namorados de curta era. Não emudeciam como casal de histórico validado pelos anos. Seduziam. Primeiro, ao outro. Depois a quem os via. Pelo apertado laço. Pelas pontas visíveis.

Nem o João, nem o dono do espaço que os acolhia, imaginariam a sensata loucura em que o par se deitaria. O fugidio lar. O abrigo. Adequado ao indizível. Real. Espesso. Fluído nos corpos liquefeitos pelo desejo. Distantes da apertada teia onde não eram – existiam, somente, na campânula de cristal que os envolvia. E explodiam no prazer líquido que o corpo da mulher retinha. Sem dele se desfazer. Escorreria, depois, durante o abandonado sono. Pela manhã, do desejo satisfeito e da feitura do amor haveria vestígios. Por que repetido, não cuidavam da denúncia. Mais haveria. Não ali - novos abrigos comprariam. No último, não seria o João a cuidar do «casalinho». Desse não souberam o nome; bastou-lhes a atenção discreta e o frutado do vinho branco que desconheciam. Aroma bebido antes do líquido de ouro fino. O peixe, suculento após vagarosa passagem pela grelha incandescente, combinava com a salada de espargos verdes e cogumelos selvagens, pepinos e gourgettes fatiados, nacos de cebola e endívias. Tostados e subtilmente untados durante a assadura. O ar escaldava de risos e felicidade. Prolongados durante a luxuosa valsa nocturna. Um homem e uma mulher. Sólidos no amor. Líquidos no desejo.

Publicado por Teresa C. às fevereiro 25, 2007 11:21 AM

Comentários

Pepinos e courgettes?!

Pois, pois...!

Publicado por: CSD às março 1, 2007 05:54 PM

Mas deixe, há sempre um livro...

Publicado por: Tati às março 4, 2007 07:03 PM

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