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março 22, 2007

CRESCER É OPCIONAL

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M. L. Garmash

Recostou-se. Na esplanada (in)certa, dissolvia nas ondas o olhar. O funcionário estendeu-lhe o sorriso de quem gostava de a rever. Ao “O de sempre?” aquiesceu, devolvendo cumplicidade e simpatia. Ter grutas de mistério que os próximos desconheciam, sabia-lhe bem. O Duarte ficara em casa. Viu-a partir dividido entre esquecer o homework da empresa e fruir do final da tarde de domingo com ela. Sábado de manhã, costumando, partilharam a leitura dos semanários na Versalhes. Indiferentes ao ruído, ao entra-e-sai que não viam por intervalarem o entretém com a troca de impressões. Surpresos, ainda, por terem na frente o outro, iluminavam o rosto e sobre a mesa davam as mãos. Para voltarem aos jornais e às revistas, comprados no quiosque ao lado.

Ela bebericava o sumo de laranja enquanto o sol a passeava. A luz e do mar a fala acolchoavam memórias. Surpreendia-a o amor que a trazia serena e com vontade de experimentar um amanhã. Contabilizou da vida as paixões e os amores. Paixão séria, absorvente, insana como cumpre às paixões, tivera uma. Durara cinco anos em que de si muito esquecera. Ela, sempre tão decidida no vestir, passara à tibieza do “será que ele vai gostar?”. Quando a exaltação pousou, directa, na amizade e na companhia, omitira o amor. Durou o que durou. Uma década de picos e nodos, feito o balanço que a distância legitima. Um par de afectos equívocos haviam-lhe cruzado a passada dos dias. Precários, esticados por comodismo durante curtos anos. Sem culpa ou orgulho, constatava pouco lembrá-los.

Com o Duarte, passada “a adrenalina do novo” – deliciava-a quando ele repetia a frase que no início lhe ouvira –, ficara um gosto terno, atento, macio na doçura, aqui e ali enrugado por verdade dolorosa. Que não dispensavam. Como redenção das mentiras anteriormente consentidas. “Nunca mais!”, fora promessa muda entre eles. Assim cresceu o elo manso que, por ora, os aconchega. Sábio este amor! – e sorria olhando o céu suave de azul. A confiança que um no outro sentia, não era arrogância tola pelo bem adquirido. Ambos com espíritos móveis, precisavam de encantamentos, agora dentro-de-portas pelo cansaço das ilusões precárias e vazias. O aroma do café trouxe-a de volta ao lugar onde deixara o corpo e voara no pensar. Certezas tinha poucas, mas uma garantia: envelhecer é obrigatório, crescer é opcional. Por isso cresciam e do tempo não sentiam o passar.


CAFÉ DA MANHÃ

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M. L. Garmash

Com a Primavera, celebro o regresso da mui cara Sofia. Fazia falta, sabe?, e muita!... Tudo o que de menos bom trouxe o Inverno, assim o levou. E, daqui em diante, é sempre a abrir rumo ao sol, á praia, ao dourado no corpo que com esses olhos azuis vai a matar. E depois, o loiro abre em ouros de maravilha. Fico feliz, minha querida, por sabê-la de volta. Beijinho enorme.

Publicado por Teresa C. às março 22, 2007 10:39 AM

Comentários

"Um par de afectos equívocos haviam-lhe cruzado a passada dos dias. Precários, esticados por comodismo"
E O SABER PARA SABER DIZER ISTO!?

Livra!
Ainda bem que não sou só eu...
(passe esta petulância que não passa d'aparência)

Os afectos distinguem e distinguem-se bem, não é, T?

Publicado por: -pirata-vermelho- às março 22, 2007 06:07 PM

beijinhos? querida? tati? livrar não livra!

salvam-se as esvoadoras, plumosas, brumentas, gaviosas, retesadas na tensa neblina que a tudo respira, o cheiro a vida, suspiros de rosa, guinchos do mar e luzes do céu, estremeços de dentro, nascimento e pão, planetas de sentidos, trança devida!!

Publicado por: gaviota às março 23, 2007 11:19 PM

Minha querida Tati, muito obrigada pelos votos de praia, de Verão e de melhores dias, que bem precisada deles estou. Um grande beijinho para si, e a ver se fazemos umas sessões de Costa, que a partir de Abril o que importa é a cor da pele e a maresia. Beijos!

Sofia

Publicado por: Sofia Vieira às março 26, 2007 06:06 PM

Minha querida Tati, muito obrigada pelos votos de praia, de Verão e de melhores dias, que bem precisada deles estou. Um grande beijinho para si, e a ver se fazemos umas sessões de Costa, que a partir de Abril o que importa é a cor da pele e a maresia. Beijos!

Sofia

Publicado por: Sofia Vieira às março 26, 2007 06:07 PM

Pirata-Vermelho - e se se distinguem, meu caro, assim a distância se imponha, e a carne e o espírito sosseguem.

Gaviota - Um momento bonito, sim senhora!

Querida Sofia - Bora lá p'ra Costa «de» Caparica e pôr a pele ao sol e a fala a voar. Precisamos as duas, creia! Beijinhos e até já.

Publicado por: Tati às março 26, 2007 08:01 PM

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