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março 20, 2007
GRELAME SEM PARIDADES

Bryan Larsen
“Hoy vas a ser la mujer que te de la gana de ser, sem nivelações, paternalismos, dias especiais, trinta por cento no parlamento, feminismos institucionais e mais paneleirices do género que tanto jeito dão para ganhar votos e não solucionam rigorosamente nada.” Isto escreveu esta mulher que, para benefício de quem a lê, das papas-na-língua ignora o sabor.
As universidades têm uma elevadíssima percentagem feminina que supera a média global de 50%. As profissões tradicionalmente masculinas mudam, aos poucos, para mãos mais suaves enfeitadas com anéis e verniz. O empenho profissional da mulher, apesar das sobrecargas decorrentes dos períodos de transição, merece, em geral, amplos elogios.
O tradicional critério do mérito não pode já ser invocado para discriminar a mulher. Mas preteri-lo a favor do modelo da paridade gera desconforto social. À mulher que desempenhar um cargo no quadro da paridade é pedida subordinação a um paternalismo subtil. Por outro lado, homem que, possuindo qualificações adequadas e gosto pelo cargo, foi dele preterido, sentir-se-á injustiçado e com razão.
Carece de prova que a mulher, na circunstância paritária, contribua com maior eficácia para a promoção da igualdade do que integrada na solução decorrente do mérito. O mecanismo das quotas não abre caminhos de liberdade, impõe-nos. Por isso, em vez de fortalecer a democracia, enfraquece-a, bem como a outro bem igualmente precioso: a responsabilidade individual.
Publicado por Teresa C. às março 20, 2007 07:07 AM
Comentários
O título do post, é um hino à autora do blog.
Raramente conhecemos mulheres que percebem como os homens as apreciam com "tomates".
A pior ofensa que se pode dirigir a uma mulher é endereçar-lhe o que quer que seja porque lhe caber em quota e não por mérito próprio.
Pior ainda se por mérito duvidoso.
Publicado por: jg às março 20, 2007 04:16 PM
Deve ser pela diferença das nossas idades, sendo eu a mais velha, obviamente, mas não me parece que as quotas enfraqueçam a democracia. Não aconteceu nos países nórdicos nem em França.
É certo que tiveram as quotas há 30 ou 40 anos atrás, mas tiveram-nas e talvez por isso tenham mulheres a dirigi-los.
E desde quando é que a entrada no Parlamento é feita por mérito? é feita de panelinhas e amizades, construídas pelos homens e nessas panelinhas raramente estão mulheres.
Publicado por: marta às março 20, 2007 08:37 PM
Embora concordando com tudo o que dizes há uma coisa que me leva a não repudiar de todo (ou pelo menos com tanta força como tu) a solução das quotas: é que nem sempre os critérios utilizados para determinar o "mérito" são independentes do género. Parece-me que enquanto não houver uma limpeza profunda e generalizada da mentalidade vigente nenhuma das soluções será "a" solução... e por muito que prefira o não reconhecimento do mérito à humilhação das quotas, aceito perfeitamente que haja quem prefira o contrário.
Para jq: parece-me que se as mulheres se continuarem a guiar mais por aquilo que os homens apreciam do que por aquilo que pensam e são não irão tão longe como esperam... mesmo que aparentemente o apreço deles coincida com as aspirações delas.
Publicado por: Lia C às março 20, 2007 09:06 PM
Concordo com a Marta. O machismo ainda existente tem artes de escolher os piores políticos para muitos cargos da política e do(s) poder(es) em detrimento da competência. E, para isso, "arredam" as mulheres com todo o despudor.
Os Países nórdicos são um bom exemplo de como as quotas funcionaram.
De qualquer modo, Portugal precisa de muitas mulheres corajosas que saibam "refilar" e impor-se pelos seus méritos.
O "tomatismo" do macho português está em queda livre. E as mulheres avançam e ainda bem :-)
A Tati é um bom exemplo de como as mulheres sabem ultrapassar os homens. Digo mesmo, ultrapassar. As mais da vezes, nós, os homens "tomatados", temos tendência a escrever apenas ao nível da região sub-umbigal :-)
O que, sendo muitas vezes engraçado, não deixa de revelar a sistemática pseudo-neuro-sexualidade macha do "abre as perninhas que aqui vai "disto".
Fim
Publicado por: Minderico às março 20, 2007 09:09 PM
Não posso estar mais de acordo- a noção de quota, em ambiente societário, só pode ser de natureza comercial.
Publicado por: -pirata-vermelho- às março 20, 2007 09:29 PM
jg - não sei se nos apreciam corajosas, mas não recusamos a condição. Há lá maior coragem que a da mulher multiplicada em funções, a todas dando de si o máximo?
Marta - concordo parcialmente com o seu ponto de vista. Na nossa, ainda adolescente, mais liberta democracia, e sabendo o que a muitas mulheres portuguesas é negado nestes dias, não nego às «quotas» o mérito da chamada de atenção para tão dura realidade. Porém, em abstracto, constrange-me. Obrigada pela visita.
Lia C. - o seu ponto de vista é contemporizador. Partilho-o, como à Marta referia, pelas muitas portuguesas ainda humilhadas na vida pessoal e em sociedade. Porém, serão estas a beneficiar do sistema?
Minderico - a verdade é não ser objectivo da maioria das mulheres, julgo, ultrapassar os homens. Queremos estar ao lado deles, ser companheiras, parceiras, amigas e colegas. Sem restrições como ainda acontece agora. Mas sobre isso escreverei de novo para melhor explicar este ponto de vista.
Pirata-Vermelho. Finalmente de acordo! Uauuu!!!!
Publicado por: Tati às março 26, 2007 07:54 PM