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março 17, 2007
O MAR MORTO NÃO PODE GRITAR

Kenney Mencher
As águas densas de sal diminuem o nível à razão de um metro por ano. Em certas zonas, onde há trintas anos era mar, é possível ir a pé de Israel à Jordânia. A escassez de água, assunto bélico na região, desvia os cursos de água de que o mar se alimentava. Mal nutrido, emagrece, aproximando margens a olhos-vistos. As simbólicas chamadas de atenção ao mundo por parte dos jordanos e israelitas e a consciência do património valioso em risco de evaporação, levaram a Europa a tomar entre as mãos a protecção de um mar que de morto nada tem – é habitat de espécies únicas cuja vida fervilha sob a aparente calmaria.
Por cá, podemos gritar. Reclamar. Exigir. O aeroporto da Portela tem de emigrar. Os vapores da combustão derramados sobre Lisboa por cada avião que descola ou aterra, excedem qualquer mínimo de qualidade ambiental. O risco de abordagem às pistas sobre vias de tráfego intenso – entre outras, a segunda circular – e sobre áreas centrais da cidade é desafio à roda da fortuna que um dia, de cansada pode desandar.
Esgrimem argumentos opostos os técnicos e os partidos. A estes é recomendado comedimento, porque a guerrilha política é equívoco grave quando está em cima da mesa a validade do monstruoso investimento. Na Ota, dizem ser um aeroporto anacronismo por que, rica em águas a olho nu invisíveis, somente justifica barragem e hidroaviões. No Montijo e Rio Frio há a preservação de zonas protegidas, ainda com o sapal do Tejo à mistura. Os técnicos que se entendam. Com sabedoria humilde, atinjam consenso que ao país convenha. E se o Mar Morto não grita, nós podemos fazê-lo – “tirem o aeroporto daqui!” Senhores decisores: inovem, e, pela primeira vez, não transformem uma resolução fundamental para a economia e bem-estar dos cidadãos em política rasteira ou teimosia pustulenta.
Publicado por Teresa C. às março 17, 2007 11:45 AM
Comentários
Deixe dizer, em estilo sintético e admitindo que o aeroporto de Lisboa não é 'viável', o seguinte:
1 porquê OTA?
2 de onde surgiu a ideia?
2.1 quando?
2.2 quem foi o autor/responsável?
3 o Campo de Tiro de Alcochete -CTA- tem uma área de 7500hA planos, horizontais, secos, desobstruídos e sem populações num raio de 10km
3.1 (o projecto agendado para a depressão alagável da OTA, rodeada de morros e populações e culturas e arvoredo, ocupa 1500hA!)
4 O CTA é propriedade do EME e EMFA, terrenos públicos portanto, não exigindo compras ou expropriações e não tendo o impacto ambiental da tal OTArice
5 a distância do CTA a Lisboa é menor mas! sobretudo mais fácil, exigindo apenas uma variante à A12 com cerca de 10km - mais uma vez plana, horizontal, recta e sem especiais obras de arte ou ciclópicas movimentações de terras
6.1 (rentabiliza a Pte. Vasco da Gama! e afigura-se acesso mais fluido do que a A1 mais os exóticos acessos a construir)
7 um aeroporto no centro do CTA não aflige populações circundantes - não as há!(ao contrário do que sucede a mais de dez localidades próximas da OTA. e o bem estar das populações é uma componente de preocupação ambiental, não é?)
7.1 um aeroporto na área do CTA não destroi culturas -vinha, horta, pomar, etc- nem matas -sobro, pinhal, eucalipto, etc- comoas que vão iriam ser arrasadas se fosse construída a tal monumental patetice na Ota.
8 etc (há mais mas não maço!)
9 porque se haveria de construir um aeroporto
-OTA- numa área de baixa cota, alagável e com duas linhas de água, com a Serra de Montejunto à vista, com morros vários à volta e uma imponente colina no enfiamento aproximado de uma das pistas, onde o subsolo é instável e exige estacaria de grande profundidade e a irregular da superficie obriga a aterros e desaterros de milhões de toneladas e para onde não há acessos de fácil construção?
(Não é preciso ser técnico; tod'agente interessada vê isto!
Além de que a dimensão técnica não seria de acesso comum. Essa escusa, a importância do parecer técnico, foi o argumento-escudo que 'remetendo-nos' para os 'estudos feitos'... que já vão em 20-e-tal milhões de euros e ainda exigem -veja-se agora!- mais 14 milhões, permitiu o avanço daquilo que é um enorme embuste. E, agora sim, sabe que há pareceres técnicos que declaram Lisboa inesgotável até onde é possível antever, tendo em conta obras de adaptação possíveis mas de que 'ninguem' fala?)
Mas
quem terá mandado falar em OTA?!
Dou-lhe uma pista... a ideia nasceu em 1982.
É antiga, não é?
Sabia?
Publicado por: -pirata-vermelho- às março 17, 2007 07:56 PM
OU!
digo eu, ingénuo, não-técnico mas menos parvo,
ter-se-à confundido OTA com CTA?
Claro que não! Do CTA - Campo de Tiro de Alcochete- lembrei-me há cerca de três anos e escrevi sobre isso, sem precisar de espírito santo d'orelha nem de seguidismos de espécie nenhuma. Não é preciso ser técnico, cara amiga.
Publicado por: -pirata-vermelho- às março 17, 2007 08:03 PM
Um dos nossos graves vícios consiste em discutir acerca do que se nã sabe ou se não estudou minimammente. Ou, o que é pior, debitar opinião que resulta da "opinião" de algum grupo que autorizamos a influenciar-nos...
Enquanto não houver, preto no branco, estudos publicamente conhecidos e comummente aceites como validados pela ciência, não me parece correcto ser tão peremptório. Cheira-me a retórica, sabe?
Para mim, o mais importante e que me parece fundamental, é tirar, o mais rapidamente possível, o aeroporto do meio da cidade de Lisboa.
Ota? Alcochete? Montijo? Beja? Deixemo-nos de conversa. A única coisa que me parece evidente é que há "dirigentes" que têm o condão de mudar de opinião, conforme o lado para que se acorda virado.
PS.
A questão é mesmo técnica, minha Amiga! Porque se o não é, então o problema que agora se levanta é mesmo muito grave...
Publicado por: j às março 17, 2007 10:06 PM
Se me permite a transcrição cujo contexto ela própria replica, na parte que consubstancia, note a paradoxal denúncia:
"Enquanto não houver (...) estudos publicamente conhecidos e comummente aceites como validados pela ciência, não me parece correcto ser tão peremptório. (...) o mais importante e que me parece fundamental, é tirar, o mais rapidamente possível, o aeroporto do meio da cidade de Lisboa"
Contraditório, como fica indicado, não é?
Publicado por: -pirata-vermelho- às março 17, 2007 11:15 PM
...para não referir a pouca elegância na referência ou, apenas, a desatenção na leitura daquilo que foi, acima e antes, peremptoriamente dito e que apenas na parte autorizaria tamanha diatribe.
Publicado por: -pirata-vermelho- às março 17, 2007 11:19 PM
Pirata Vermelho - o amigo acalme-se, que a coisa ainda não está decidida. Mas são necessários estudos científicos válidos, sim! Ouvindo argumentos favoráveis à Ota e seu contrário, mais convencida me deixou de corrermos risco de confundir a localização do novo aeroporto com querela futebolística. Esta não é indirecta para si, mas para aqueles cujo nível de discussão é abaixo de mau como tenho lido e ouvido por aí.
J - Perfeita sintonia que prezo. Tem sido escasso o prazer de o ler aqui...
Pirata- Vermelho - vá, lá!, seja um querido, não se abespinhe pois estamos entre amigos, certo?
Publicado por: Tati às março 18, 2007 06:51 PM
Abespinhar-me não é hábito meu. Muito menos, tirar o mérito a quem o tem. E ainda menos tirar conclusões precipitadas, apenas pelo facto de poder verificar-se coincidência com o que penso.
Quanto ao mais, é claro que estamos entre Amigos... Por isso mesmo, manifesto por vezes alguma intransigência com a "imodéstia" de alguns escritos.
Se quer saber, não gosto da OTA. Mas paenas porque me fica um pouco longe, sabe?
Publicado por: j às março 19, 2007 10:44 AM
J - o último comentário meu, como consta, dirigia-se ao Pirata-Vermelho. E continue com a intransigência selectiva que somente enriquece a discussão.
Publicado por: Tati às março 19, 2007 05:44 PM