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março 18, 2007

PERNAS DELAS, PIJAMAS DELES

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Sorayama

Antes, elas (re)miram-se ao espelho, pela frente, por detrás, de lado. “Lá está!”, ruminam, “sorte malvada. Rios, quais rios?, oceanos de dinheiro gastos em massagens, agulhas de mesoterapia, eléctrodos mais as tremuras, e as coxas insistem na superfície lunar. Minha querida, ou acendes velas e apagas, ainda vestidinha, as luzes, ou lá se vai o andor.” Entretanto, eles cortam os pêlos do nariz e das orelhas, espremem os pontos negros, no banho esfregam, como condenados, a cabeça e os sovacos, encolhem a barriga até mal respirarem, verificam se são compatíveis os minutos sem inspiração com despir a mil à hora e aterrarem em cima delas que, salvo as sabidonas, tomarão por impetuoso o balanço, tão certo como quatro ser o dobro de dois.

Chegado o momento da verdade dos corpos, pela ânsia de satisfação do espírito que a carne comanda, nem eles nem elas se deterão no que antes fora temor. Depois, ah, sim!, depois, é que são elas. Eles atentam nas curvas, ou na ausência delas, que a roupa escondia. O peito e as pernas, de novo essas traidoras!, sem saltos e rentes ao chão, perdem da altura metade. E, ou são curtas, ou grossas de mais em baixo e falhas em cima; o rabo que os fascinou e parecia harmonioso, tanto desaparece como engrossa. Gostam de agarrar, é certo, mas menos era o bastante.

Se a noite for farta e preguiçar pela madrugada, não será à primeira, mas da meia dúzia em diante, vem a hora do pijama. Ora, neles, este é momento decisivo. Um clássico de bandas e debrum nas virolas? Desportivo de malha de algodão? T-shirt e calças de treino? Tudo serve, assim condiga o estilo com o indivíduo. Porém, marretada que não merecemos, é enfiarem eles dentro das calças a parte de cima do pijama. Está por nascer o amante capaz de, aos nossos olhos, resistir a prova tamanha. Inquietante case study este: julgarem as gripes semelhantes a melgas ou a pulgas que se infiltram, sorrateiras, pela cintura. Podem crescer literal e metaforicamente, que destas canduras eles não se livram. Adoráveis, pela santa ignorância que nos diverte. Bem-hajam!


CAFÉ DA MANHÃ

Festa do Livro de Poesia. Amanhã, Dia Mundial da Poesia, na Casa Fernando Pessoa, das 11h00 à meia-noite, feira do livro de poesia: baratos e bons. Não faltar.

Outros pontos do programa: às 21h30, leitura de poemas com Maria do Rosário Pedreira, Eduardo Pitta, Fernando Pinto do Amaral, Pedro Mexia, Pedro Sena-Lino, Ana Marques Gastão, José Luís Tavares.
João Afonso e João Lucas,
logo a seguir, cantam poetas portugueses.
Desde as 18h00, o quinteto de jazz Wishful Thinking no jardim da Casa. Ao fim da noite, pela noite fora, uma ceia.

Publicado por Teresa C. às março 18, 2007 11:17 AM

Comentários

"Porém, marretada que não merecemos, é enfiarem eles dentro das calças a parte de cima do pijama"!? Não percebo; enfiar nas calças... a parte de baixo do casaco do pijama? a fralda da t-shirt?

É Pedra-de-toque?

Publicado por: -pirata-vermelho- às março 18, 2007 08:29 PM

Pirata-Vermelho - Yep!,para a primeira, Nope!, para a segunda. Não dou toques ou mando recados. Digo e pronto! No caso vertente, não gosto de ver, embora no amado não me importe nem um pouco - tomo-o por hábito que me enternece. No texto, é em geral que falo, como sempre aliás, que escancarar a privacidade não é pelouro meu. Um dos gozos que por aqui tenho é misturar realidade e ficção.

Publicado por: Tati às março 18, 2007 09:05 PM

Teste Comentário.

Publicado por: Weblog - Suporte Técnico às março 19, 2007 11:46 AM

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Recordar-me?