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março 15, 2007

PITADA DE PAPRIKA

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Autor que não foi possível identificar

Sussurraste ao meu ouvido: “Sabes?, um dos meus anjos da guarda, aquele... o mais atrevido, interrompeu-me o dia. Melífluo, com rodeios, descabelou – não achas ginásio a mais? Treino hoje, treino amanhã... Reparaste no trajar? Calças de serpente, tiras com alças resumidas. Não sei não!... Das massagens do cocuruto ao dedo mínimo do pé, entendes. Sabes como ela se abandona. Conheces-lhe o ronronar. Por que esperas? Treina-a tu, meu!” E eu ria, tentando não descolar o ouvido. Entrançada em ti. E segredavas histórias que eu interrompia para acrescentar um ponto ao teu conto. Como pitada de paprika. Ou pimenta verde moída no instante. Que condimentava, sabia. E persistias. E ias e vinhas no conto. Eu ouvia-o, indo e vindo com ele. Os silêncios viriam depois. De palavras, digo. Soberbos em vocalizos. Teus e meus. Discretos, diria um voyeur. Mais tarde, seria a sede – “Vou lá eu!, não vou eu!” Num cigarro, teu, nosso?, harmonizámos respirações. Ainda entrançados, o tempo correu. E as histórias, as verdades, as memórias com ele. Sem omissões. Ausentes as meias-verdades. Nunca as tivemos. Antes ou depois. Por isso me contas contos. E eu rio. Ondulando neles e em ti.

Publicado por Teresa C. às março 15, 2007 08:27 AM

Comentários

Genial. E por aqui me fico!

Publicado por: vmcs às março 15, 2007 07:16 PM

Muito obrigada. Não nego que me apraz não suscitar indiferença, como tantas vezes por aqui acontece.

Publicado por: Tati às março 18, 2007 06:31 PM

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