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março 10, 2007

POMBOS OU CAUTELAS AMBIENTAIS?

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Bralds

O mundo ocidental acordou duma noite de mais de meio século. Egoísta. Descuidada. Não que um pesadelo aqui, uma inquietação ali, um, cem, mil sinais não tenham forçado a voltas e reviravoltas no leito da indiferença política e social. Guerras, recessões, transportes, rodovias, conquistar entre os poderosos o lugar maior por via da manipulação ou medo, foram as prioridades dos países ditos desenvolvidos. A pobreza e as profundas assimetrias económicas na geografia política foram apanhando as migalhas dos banquetes dos reis do mundo. Como grão de milho deitado a pombos vadios que se contentam com o pouco bastante para voarem. Em bandos. Procriando demais. Sujando tudo. Sem eira nem beira. Enxotados, à excepção das almas compassivas que os alimentam e esquecem as terríveis doenças que os pombos disseminam de lugar em lugar. Como os povos africanos e asiáticos. Malparidos, malquistos, malsões, malvistos. Pombos com forma humana. Sem alma, respeito ou dignidade.

Conciliar progressão económica, preservação ambiental e qualidade de vida dos cidadãos. Objectivo ambicioso da Europa com todos. Diz ela ser a segunda prioridade logo atrás do combate à pobreza. Preocupante declaração. Se no combate à aviltante miséria a mediocridade tem sido indecorosa, que esperar do empenho nessa coisa vaga das preocupações ambientais? Na Alemanha, a Chanceler Angela Merkel, ex-ministra do ambiente, corta cerce os desperdícios energéticos. Aconselha os patrícios a passarem férias entre as fronteiras. Aumenta o preço do querosene e das viagens de avião. Motiva a compra de veículos híbridos. Estimula as indústrias menos poluentes. A Europa, como comadre embiocada, olha de soslaio a desempoeirada Chanceler – “Mulheres... Sempre as mesmas: sonhadoras e insensatas na gestão da coisa pública. Nem uma alemã treinada para a eficácia e disciplina rígida marca a diferença!” E vêm uns deputados alimentados pelos lobbies económicos, quais velhos do Restelo, atemorizar o povão: “E a recessão económica que de preservar o ambiente decorre? Prontos para a despedida dos luxos do século XXI? Queixem-se depois se o pobre ficar mais pobre... Quem avisa, amigo é.” E não são. Sabiamente corruptos, comodistas e centrados no umbigo do presente esquecem o amanhã. Configurando-o tão remoto, dizem eles!, que nem os netos dos nossos netos assistirão à falência ambiental. Que chega ano, após ano, sob a forma de catástrofes naturais, a neve sumida das estâncias de Inverno, o Verão encharcado por chuvadas inesperadas, o Outono como forno no máximo.

Bem pregam investigadores sérios! Bem vende Al Gore a Verdade Inconveniente! Enquanto não nos atascarmos na lama do que em tempos foram cidades do litoral, assobiaremos enquanto olhamos o ar. Afinal, safando-se os pombos, por que não nós?


CAFÉ DA MANHÃ

À Alba, autora do "Clareira" que merece visitas atentas, agradeço o destaque do texto do dia 8 de Março. Prezei o modo como entendeu o que eu pretendia transmitir. Muito obrigada.

Publicado por Teresa C. às março 10, 2007 08:52 AM

Comentários

Todos os dias me espanta a verve e o nervo com que escreve.

Muito bem!

(e obrigado!)

Publicado por: -pirata-vermelho- às março 10, 2007 04:15 PM

Pirata-Vermelho - Hummm.... Obrigada!

Publicado por: Tati às março 13, 2007 08:10 PM

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