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abril 15, 2007

A LAURINHA

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Lisa Remeny

“Vai ao João? Despachei-me agora de lá. Não tem muita gente, é boa hora. Sabe o que me disse a Idalina? O marido da Laurinha deixou-a. Cansado do peso que ela lhe punha, coitado!... Isto foi a manicura, mas a outra, a miúda ruiva também falou do mesmo quando me lavou a cabeça. Lembra-se da mãe? Uma senhora muito fina. As nossas famílias visitavam-se. Quem diria? Uma menina bem-nascida, educada, mãe de três filhos... A verdade é que nunca me enganou. Bastava reparar quantas vezes arranjava os pés e punha aquele esmalte encarnado nas unhas. Entrava para a depilação de quinze em quinze dias; completa, não sei se me entende... E olhe que a Idalina é que lha fazia. Custou-me a crer ao princípio, mas pus-me a pensar e foi somar dois com dois. Para o marido não era de certeza. Sabe o que faz isto? Tempo a mais! Empregada em casa, marido no consultório; fora os congressos e as noites em que estava de banco. Muito trabalha aquele homem!... Para não faltar nada à mulher e aos miúdos. Uma bela casa, antiguidades por todo o lado, pratas de família, tudo do bom e do melhor, tinha que dar nisto. Parece que a última foi o marido ter encontrado uma fotografia dela, descalça, nua não sei!, num barco. Parece que tentou desmentir e dizer que era uma amiga. Ele não acreditou. Então não é que usava anéis nos dedos dos pés? Que o marido lhe oferecia, veja lá! Foi isso que a desmascarou. Cá para mim, fartinho estava ele de saber, mas deixava andar. Quem sabe se não gostaria? Há gente para tudo... Curou-se depressa, segundo dizem. A Pilar, encontrei-a à saída, garantiu que o filho o viu com outra. Loira também. Parece impossível! É que não há modo dos homens aprenderem...”

Publicado por Teresa C. às abril 15, 2007 11:01 AM

Comentários

Há mares d'amares, n'é, Teresa?

Publicado por: -pirata-vermelho- às abril 15, 2007 05:31 PM

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Recordar-me?