« AMIGAS | Entrada | BELLE ET VIEILLE EUROPE »

abril 19, 2007

O TIPO DO MSN

John Lockell 2.jpg
John Lockell

O Reverso da Gaja do MSN

Não havia como desmentir – os homens são como o pão de forma, quadrados, miolo mole e fáceis de dobrar. Sorria. Pelo retrovisor viu a maquilhagem esborratada, as olheiras vincadas e achou-se mais sensual que nunca. O cabelo, que o suor dos corpos humedecera, encaracolara nas pontas. Selvagem como as últimas horas. O Robin Williams embalava a condução lenta na noite inventada de lua-cheia.

Lembrava o começo da história. Caíra-lhe na sopa. Literalmente. À hora de almoço, num chat onde diluía ócios, tigela de sopa ao lado do teclado, aparecera o fulano armado em pimpão. Passaram ao MSN por insistência dele - importava ver a presa; dela, no caso vertente. Entre um gole de sopa e o puído toma-la-dá-cá, não tardou a ver nele o candidato ideal: femeeiro e disponível. Cedeu-lhe a convicção da autoria do arranjinho. Dela fora a sugestão do hotel a meio-caminho – “dividimos o distância a meias. Ficamos no Hotel Solterra que conheço de um casamento e não é mau.” Ele titubeou sobre as horas e uma viagem agendada. De pronto, retorquiu: “fica para outra vez, quem sabe?” Remédio santo – “daqui a três horas. Vens sem cuecas e de arrasar. Não esquecerás.” Engoliu em seco e escreveu: “seja, mas cama está fora de causa!” - “Isso vemos depois!”

Ficou imóvel. Telefonava? Uma SMS servia. Aviou-se e saiu. À hora combinada, lá estava – moreno, impecável, putice no olhar. Enlaçou-a e subiram. No elevador, a curiosidade dele roçou abaixo da cintura. Compondo ar distraído, registou-lhe a postura vencedora. Mordeu os lábios para não rir – que fará os homens julgarem que andar sem lingerie é transgressão feminina? A intimidade foi banal – lábios e mãos laboriosas, a tentativa de a derrubar no leito. Ágil, evitou-o. Sentada sobre si própria, rente ao chão, joelhos bem abertos, liga das meias à vista, carícias sábias, olhos subidos, centrados nos dele, e, sem que do corpo lhe visse a pele, resolveu o assunto num ai. A ideia do bar soou-lhe a vingança por ter levado a dela avante – “cama não!” Pareceu-lhe bem: a ansiedade fizera sede. Simulou o embaraço conveniente e desceu. Ele chegou dez minutos depois e sentou-se, longe dela, ao balcão. “Parvo todos os dias, mas OK, está a ir direitinho e não posso pedir mais.”

Ao entrarem para jantar, viram-se. Tinha escolhido bem – morena vistosa. O resto foi um entretém. O fulano, provocado por astúcia competente, estava uma rodilha. Ela, como engate borracho – e se estava lúcida! –, aceitava-lhe o passeio das mãos. Ao subirem aos quartos, o tipo com a profissional, ela com o dono do hotel, o elevador foi testemunha do caos mental do desgraçado. Merecia o recuerdo. Noite memorável - teve com o marido o melhor sexo dos últimos anos. Um senão – a saída de madrugada. Que fazer, se entrava às oito e dava teste à primeira hora?!...


CAFÉ DA MANHÃ

Devido a erro no sistema de comentários de quatro das últimas entradas, não me é possivel responder aos caríssimos comentadores. O sistema está de novo funcional.

Publicado por Teresa C. às abril 19, 2007 08:18 AM

Comentários

teste

Publicado por: Tati às abril 19, 2007 05:55 PM

(re)teste ... está conforme ...

Publicado por: Minderico às abril 19, 2007 09:58 PM

comentário ao post "gaja do msn": Esta estória, com aspectos bem verosímeis, em que um homem seduz por motivações bem pouco eróticas -tédio e "voyarismo comportamental" está contada de uma forma magnífica. Questionamo-nos: será que este homem aprendeu algo sobre as mulheres ou sobre si próprio com este episódio?

Só depois de fazer o comentário supra li este olhar, o "dela". Teresa, está de uma perversidade genial!!! Parabéns!

Publicado por: Alba às abril 20, 2007 02:50 AM

Alba - Humm... Sabe que corro sempre o risco de me tomarem como reflexo das mulheres que descrevo. Delinear a mulher destratada pelo "fulano" e relegá-lo a um papel utilitário deu-me gozo. Ora!... Isso é que conta! Obrigada, Alba

Publicado por: Tati às abril 23, 2007 05:42 PM

Comente




Recordar-me?